Se você achava que completar o álbum da Copa do Mundo de 2026 exigiria apenas paciência e saliva para negociar no clássico "tem, não tem", o mercado financeiro veio te dar um banho de água fria. Um levantamento internacional mostra que o Brasil é o segundo país do mundo onde o valor dos pacotinhos mais acumulou alta desde o mundial da Rússia, em 2018. Ficamos atrás apenas da Turquia — que, sejamos justos, vive uma realidade econômica que faz o nosso clássico "cenário macroeconômico desafiador" parecer um passeio no parque.

Por que isso importa: O bolso do brasileiro virou o verdadeiro camisa 10 da Panini. Enquanto a inflação oficial do país (o IPCA) acumulou algo em torno de 50% nesse período de oito anos, o preço do pacotinho saltou de R$ 2,00 para assustadores R$ 7,00 — uma valorização absurda de 250%. Nem o bitcoin ou o mercado imobiliário do Rio de Janeiro entregaram tanto retorno. Para o cidadão comum, isso significa que ostentar um álbum completo virou um símbolo de status mais forte do que desfilar com o último iPhone por aí.

Sim, a culpa também é da escala: A dona do jogo se defende dizendo que a culpa é do tamanho da festa. Afinal, a Copa de 2026 agora tem 48 seleções e o álbum saltou para quase mil cromos. Colocar sete figurinhas por envelope (uma a mais do que antes) foi a saída da empresa para justificar o preço. Mas sejamos francos: a lógica de que "tem mais papel, logo custa o preço de uma pequena franquia" só cola porque eles sabem que o brasileiro é incapaz de resistir à nostalgia de colar um retângulo brilhante com a cara do Neymar.

Se a inflação das coisas que a gente realmente precisa comer seguisse o ritmo do mercado de cromos, a gente estaria trocando uma caixa de leite por uma figurinha lendária do Casemiro no farol.

Acho que a única solução realista para 2026 vai ser redescobrir o clássico e proibido jogo do "bafo" nas calçadas, torcendo para o Procon não confiscar nosso patrimônio líquido de papel impresso.