A Casa Branca acusa o Brasil de adotar políticas e práticas "irrazoáveis" que oneram e restringem os negócios de empresas norte-americanas, utilizando os termos rígidos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974 — o mesmo dispositivo histórico usado para disparar guerras comerciais contra grandes potências.

O relatório final da investigação aponta falhas e barreiras estruturais do lado brasileiro em seis frentes principais:

  1. Comércio Digital e Big Techs: Críticas diretas a ordens judiciais brasileiras de remoção de conteúdo e suspensão de perfis em redes sociais americanas.
  2. Serviços de Pagamento: Questionamentos ao desenho regulatório nacional e suposto favorecimento a soluções locais, como o Pix, em detrimento de provedores estrangeiros.
  3. Acesso ao Mercado de Etanol: Alegação de que o Brasil quebrou a reciprocidade tarifária com o combustível americano desde 2017.
  4. Meio Ambiente: Crítica à aplicação ineficaz das leis ambientais de combate ao desmatamento ilegal.
  5. Propriedade Intelectual: Lentidão e gargalos na proteção de patentes e direitos de marcas.
  6. Medidas Anticorrupção: Cobrança por maior rigor na governança corporativa e integridade institucional.

A Lista de Exceções: O que escapou da linha de frente

Ciente do risco de gerar choques de abastecimento ou pressões inflacionárias na sua própria cadeia produtiva, o governo norte-americano excluiu cirurgicamente do "tarifaço" setores estratégicos onde há forte dependência de insumos brasileiros.

Não serão sobretaxados:

O Cronograma de Pressão e os Próximos Passos

A medida ainda não entrou em vigor imediatamente; ela funciona como o disparo de um cronômetro de pressão diplomática. O USTR estabeleceu um calendário oficial antes da canetada final:

O Diagnóstico de Bastidores: Diplomatas e interlocutores do governo brasileiro em Brasília avaliam o processo como um "jogo de cartas marcadas". A leitura política clara é que Washington está instrumentalizando questões regulatórias, de meio ambiente e liberdade digital como alavancas de pressão econômica para forçar o Brasil a ceder em frentes de interesse estratégico dos EUA, como concessões em minerais críticos e o recuo na tributação e regulação de Big Techs. Uma força-tarefa interministerial já começou a ser desenhada pelo Itamaraty para tentar mitigar os danos, municiar exportadores com dados técnicos e abrir canais diretos de negociação antes que a barreira alfandegária seja erguida em meados de julho.