A EMS cansou de ver a dinamarquesa Novo Nordisk nadar de braçada no mar de dinheiro das canetas emagrecedoras e resolveu jogar o seu próprio "bote salva-vidas" no mercado. A empresa anunciou que o Ozivy, o primeiro genérico "de grife" da semaglutida fabricado em solo nacional, chega às farmácias no dia 15 de junho. O grande trunfo é o bolso do consumidor: enquanto os originais Ozempic e Wegovy orbitam a salgada faixa dos R$ 800, o produto da EMS vai custar R$ 452 no preço cheio do programa de benefícios, e quem fechar o combo inicial de três meses vai desembolsar uma média de R$ 287 por mês. É o "suco de quilos a menos" finalmente ganhando uma versão com preço de Black Friday permanente.

Por que isso importa: A quebra da patente da semaglutida em março abriu a porteira para a indústria farmacêutica nacional. A EMS investiu mais de R$ 1,2 bilhão na sua fábrica em Hortolândia (SP) e tem capacidade para despejar 40 milhão de canetas por ano no mercado. Ao democratizar o acesso ao composto mais cobiçado da década por quase metade do preço atual, a empresa não apenas desafia o monopólio estrangeiro, mas força gigantes globais a se mexerem, tanto que a Novo Nordisk correu para anunciar descontos e doações de doses iniciais do Wegovy para não perder o cliente que agora pode optar pela "solução tupiniquim".

A pressa da EMS em colocar mais de 500 mil canetas nas prateleiras já no primeiro lote faz todo o sentido: a Anvisa já está analisando outros seis projetos de semaglutida concorrentes. Do ponto de vista técnico, o laboratório brasileiro destaca que o Ozivy é feito por "síntese química" e não por biologia, o que do ponto de vista regulatório faz dele um produto diferente e impede que ele seja vendido como um genérico intercambiável direto no balcão sem o aval do médico. Ou seja, nada de chegar na farmácia e pedir "um Ozempic, mas leva esse da EMS aqui se for mais barato". Mas convenhamos, com essa diferença de preço, o paciente vai pedir a receita nova para o endocrinologista mais rápido do que o efeito da própria picada na barriga.

Se antes o "projeto verão" exigia o orçamento de uma viagem internacional, a indústria brasileira provou que a redução de medidas também pode ser aplicada com sucesso na sua fatura do cartão.