A Frente Nacional dos Consumidores de Energia fez as contas e o resultado é de chorar no banho (com o chuveiro desligado para economizar): as canetadas do governo Lula 3 e da atual legislatura do Congresso já contrataram R$ 985 bilhões em custos extras na nossa tarifa de energia até 2050. Para você ter uma ideia do tamanho do estrago, esse montante daria para pagar seis anos de Bolsa Família. Ou, se o governo decidisse simplesmente dividir a grana, daria quase três salários mínimos na conta de cada brasileiro.
Por que isso importa
O Brasil vive uma ironia digna de um meme do Nazaré Confusa. Nós somos uma potência em energia limpa e barata — o país está literalmente transbordando de energia solar e eólica. Mesmo assim, a conta de luz residencial foi o item que mais pesou na inflação do IPCA no ano passado. Em São Paulo, uma conta padrão de classe média subiu 18,4% em pouco mais de três anos, superando a inflação. Estamos pagando o preço de um sistema que a própria indústria chama de "fábrica de penduricalhos".
O monstro do Frankenstein elétrico
O grande vilão dessa história atende pelo nome técnico de Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap). Traduzindo do economês: como todo mundo resolveu colocar placa solar no telhado (geração distribuída), o sistema fica instável quando o sol se põe e as pessoas chegam em casa para ligar a TV e o ar-condicionado. Para garantir que o país não fique no escuro, o governo precisa contratar usinas (geralmente térmicas a gás ou carvão) para ficarem de "plantão".
O problema não foi a ideia, foi a execução. O Ministério de Minas e Energia (MME) bateu cabeça, atrasou o leilão por três anos e, quando resolveu fazer, mudou o cálculo do preço-teto na última hora, dobrando o valor que os investidores iam receber. O resultado? Um custo de R$ 546 bilhões na conta de luz. Especialistas comprararam o desenho do leilão ao Frankenstein. E nós somos os camponeses assustados com as tochas na mão.
E o prêmio de "pior investidor" vai para... o Congresso
Se o Executivo derrapou no leilão, os deputados e senadores decidiram chutar o balde com os famosos "jabutis" — aquelas emendas sem pé nem cabeça enfiadas em projetos de lei para agradar lobbies específicos.
O caso mais emblemático foi o marco legal das eólicas em alto mar. O projeto era para ser super ecológico, mas a Câmara entuxou tantas bondades — como a obrigatoriedade de comprar energia de térmicas que nunca desligam e subsídios para carvão — que o custo extra bateu R$ 197 bilhões. Lula até tentou vetar, mas o Congresso derrubou o veto com a mesma velocidade de quem arrasta o dedo no Tinder.
O Ministério de Minas e Energia se defendeu dizendo que a metodologia da pesquisa é "superficial" e que essas políticas trazem investimentos e empregos. Eles juram que o leilão vai gerar economia lá na frente. O mercado, claro, olhou para esse gráfico e soltou um sonoro "aham, Cláudia, senta lá".
No fim das contas, a transição energética brasileira parece aquele amigo que decide virar fitness, compra o tênis mais caro da vitrine, a assinatura da academia gourmet, mas continua jantando pizza com refrigerante normal todo dia.