O Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, está finalmente ensaiando o voo de retorno ao protagonismo na aviação brasileira.
Depois de um longo período de decadência, marcado pela perda de voos para o rival doméstico Santos Dumont e por incertezas sobre sua concessão, o terminal carioca virou o centro de uma agressiva estratégia de crescimento desenhada pela concessionária espanhola Aena e pela companhia aérea Gol. O plano pretende injetar bilhões de reais para transformar a infraestrutura e a malha de voos do aeroporto.
A mudança de ventos ocorre em um momento de rearranjo regulatório, onde restrições de capacidade no Santos Dumont forçaram o retorno dos voos de alta densidade e conexões para a pista do Galeão.
A Gol finca sua bandeira de conexões
Para a Gol, o Galeão deixou de ser apenas um ponto de parada e passou a ser tratado como um motor de crescimento doméstico e internacional.
A companhia aérea está estruturando um hub robusto no terminal, conectando passageiros vindos de várias capitais do Brasil diretamente para as suas rotas internacionais e de parceiras estrangeiras. A estratégia visa rivalizar com a forte presença da Latam em Guarulhos (SP) e da Azul em Viracopos (Campinas).
Essa centralização traz eficiência operacional e enche os terminais do aeroporto, aumentando o fluxo de passageiros de alta renda circulando pelos portões de embarque.
O choque de gestão e infraestrutura
Do lado da infraestrutura, a operadora aeroportuária Aena enxerga o Galeão como uma joia logística que operava muito abaixo de seu potencial real.
Os investimentos bilionários previstos miram não apenas a modernização dos terminais e das pistas, mas também a expansão das áreas comerciais. A ideia é transformar o aeroporto em um polo de consumo, serviços e logística de carga para o Sudeste, aproveitando a gigantesca capacidade de pátio que o terminal possui e que sempre foi ociosa.
Se os planos das duas empresas se concretizarem, o Rio de Janeiro pode finalmente consolidar o modelo de duas pistas que funciona nas grandes metrópoles do mundo: um Santos Dumont focado na ponte aérea executiva e um Galeão forte, conectado e verdadeiramente internacional.