O SoftBank anunciou um plano faraônico para investir até 75 bilhões de euros (cerca de 87 bilhões de dólares) na construção de super data centers focados em Inteligência Artificial na França. O anúncio oficial será feito com pompa e circunstância durante o Choose France Summit, o evento anual de gala que o presidente Emmanuel Macron usa para convencer bilionários estrangeiros a gastarem seus preciosos tostões em solo francês. A primeira fase do projeto vai despejar 45 bilhões de euros para erguer complexos de processamento nas cidades de Dunquerque, Bosquel e Bouchain até 2031.
Por que isso importa
Enquanto a Inteligência Artificial consome energia no mesmo ritmo de um adolescente em fase de crescimento assaltando a geladeira de madrugada, as big techs estão desesperadas atrás de eletricidade estável. Os EUA estão batendo no teto da rede e o Reino Unido virou um território caro demais para processamento. A grande jogada da França é que o país tem uma matriz elétrica que é cerca de 70% movida a energia nuclear. Para o SoftBank, isso resolve dois problemas de uma vez só: garante energia barata que nunca desliga e permite que a empresa venda o discurso de "IA sustentável e de baixo carbono" para o mercado europeu, algo que os data centers americanos movidos a gás natural simplesmente não conseguem fazer.
O mestre do xaveco geopolítico
Toda essa dinheirama é fruto de uma "DR" de negócios muito bem-sucedida entre Macron e o icônico CEO do SoftBank, Masayoshi Son. O investidor japonês, que costuma passar o dia ignorando CEOs choramingando por aportes em startups, revelou em entrevista à imprensa francesa que ficou profundamente impressionado ao ver um chefe de Estado ligar pessoalmente para ele e implorar por investimentos em infraestrutura. O xaveco do presidente francês foi tão bom que Son aceitou redirecionar uma dinheirama que originalmente iria para os EUA ou para a Ásia direto para o colo dos franceses.
Para garantir que o ecossistema fique completo, o SoftBank fechou uma parceria com a Schneider Electric para criar um polo industrial e de robótica no Porto de Dunquerque. A ideia é fabricar os próprios componentes dos data centers ali mesmo, criando milhares de empregos qualificados e alimentando startups locais queridinhas do governo, como a Mistral AI. É o sonho da "Soberania Digital Europeia" saindo do papel com dinheiro japonês.
É claro que, tratando-se do SoftBank, o mercado financeiro sempre olha para essas cifras monumentais com uma sobrancelha levantada. Afinal, estamos falando do mesmo fundo que despejou bilhões no WeWork e que recentemente tomou um "chá de banco" de credores para conseguir um empréstimo garantido por suas ações da OpenAI. Masayoshi Son jura que tem o dinheiro; os bancos europeus rezam para que ele não esteja blefando na mesa de pôquer da IA.
No final das contas, Macron conseguiu o maior troféu de investimentos da história do seu mandato. Resta saber se, quando as máquinas começarem a rodar, toda essa computação quântica vai servir para revolucionar a ciência ou apenas para gerar imagens em altíssima definição de croissants usando boina. O flerte deu namoro, e a conta veio em euros.