A Apple ainda nem apresentou seu primeiro iPhone dobrável.

Mesmo assim, já está apostando alto nele.

Segundo o Nikkei Asia, a empresa aumentou seus pedidos de produção para cerca de 10 milhões de unidades do chamado iPhone Ultra, um volume aproximadamente 30% superior às estimativas anteriores. O aparelho, que deve estrear no segundo semestre de 2026, pode chegar ao mercado com preço próximo de US$ 2.500, tornando-se o iPhone mais caro da história.

A decisão chama atenção porque vai na contramão da cautela que normalmente marca a estratégia da Apple em novas categorias de produtos.

A Apple acredita que o mercado está pronto

Os smartphones dobráveis existem há quase sete anos.

Samsung, Huawei, Honor e outras fabricantes já lançaram diversas gerações desses aparelhos, mas o segmento continua representando uma pequena parcela do mercado global.

A Apple, como costuma fazer, preferiu esperar.

Agora, porém, parece acreditar que a tecnologia amadureceu o suficiente para justificar sua entrada.

O aumento dos pedidos de produção indica uma expectativa de demanda maior do que analistas projetavam meses atrás. Se os números se confirmarem, o iPhone Ultra poderá representar uma das maiores estreias de produto da empresa desde o Apple Watch.

O objetivo não é vender para todo mundo

O preço estimado de US$ 2.500 deixa claro que a Apple não pretende transformar o dobrável em seu modelo de maior volume.

A estratégia parece ser outra.

Assim como acontece com o Vision Pro, o iPhone Ultra deve funcionar como um produto de posicionamento, voltado ao público disposto a pagar mais para ter acesso às tecnologias mais recentes da empresa.

Isso também ajuda a proteger as margens da Apple em um momento em que os custos da cadeia de suprimentos continuam pressionados pela alta nos preços de memória, armazenamento e componentes ligados à inteligência artificial.

O dobrável pode inaugurar um novo ciclo

O lançamento também pode marcar uma mudança importante na estratégia do iPhone.

Nos últimos anos, as evoluções entre uma geração e outra ficaram cada vez mais incrementais.

Melhores câmeras.

Processadores mais rápidos.

Baterias mais eficientes.

O formato do aparelho, porém, permaneceu praticamente o mesmo desde o iPhone X.

Um modelo dobrável representa a primeira grande mudança de design da linha principal em muitos anos e pode inaugurar um novo ciclo de atualização para consumidores que já não enxergam motivos suficientes para trocar de smartphone todos os anos.

O desafio continua sendo convencer o consumidor

Apesar do otimismo da Apple, o mercado de dobráveis ainda enfrenta obstáculos.

Os aparelhos continuam caros, mais espessos quando fechados e dependem de dobradiças extremamente sofisticadas para garantir durabilidade. Além disso, consumidores ainda discutem se a experiência realmente justifica pagar o dobro — ou mais — por um smartphone.

A vantagem da Apple é entrar quando boa parte desses problemas já foi parcialmente resolvida pelos concorrentes.

É uma estratégia que a empresa repetiu com sucesso em categorias como relógios inteligentes e fones de ouvido sem fio.

Por que isso importa

O aumento da produção mostra que a Apple acredita que os smartphones dobráveis finalmente deixaram de ser um experimento para se tornar uma categoria relevante.

Mais do que lançar um novo aparelho, a empresa tenta criar o próximo grande ciclo de crescimento do iPhone em um mercado que se tornou cada vez mais maduro.

Se a aposta funcionar, os dobráveis podem deixar de ser um nicho dominado por fabricantes asiáticos e entrar definitivamente no mercado de massa.

E, como já aconteceu outras vezes na história da Apple, a empresa pode não ter sido a primeira a criar uma categoria.

Mas quer ser aquela que a torna popular.