A Meta teve um modelo de negócios relativamente simples durante anos. A empresa investia em tecnologia para tornar Facebook e Instagram mais eficientes, aumentar o tempo de uso dos aplicativos e vender anúncios mais caros. Quase toda sua receita vinha dessa fórmula.
Agora, ela parece pronta para mudar.
Segundo a Bloomberg, a Meta estuda usar a gigantesca infraestrutura de inteligência artificial que está construindo para criar um novo negócio: vender capacidade computacional e hospedar modelos de IA para outras empresas. A notícia foi bem recebida pelo mercado — as ações da companhia subiram cerca de 9% após a divulgação, enquanto empresas especializadas nesse mercado, como CoreWeave e Nebius, perderam valor.
O problema é o tamanho da conta
Nos últimos anos, Meta anunciou investimentos de centenas de bilhões de dólares em data centers, chips e infraestrutura para inteligência artificial.
Até agora, a justificativa era clara.
Toda essa capacidade serviria para melhorar seus próprios produtos: recomendar conteúdo, otimizar publicidade e desenvolver agentes de IA para bilhões de usuários.
Mas essa explicação começa a parecer insuficiente.
Mesmo para uma empresa do tamanho da Meta, é difícil justificar investimentos tão grandes apenas para fortalecer um negócio de publicidade.
A alternativa é transformar essa infraestrutura em uma nova fonte de receita.
O plano é vender poder computacional
A estratégia em estudo segue dois caminhos.
O primeiro seria oferecer acesso a modelos de inteligência artificial hospedados pela própria Meta, incluindo sua família de modelos Muse e outros sistemas de código aberto.
O segundo seria ainda mais ambicioso: alugar capacidade bruta de processamento — conhecida como bare metal — para empresas que precisam desenvolver ou operar seus próprios modelos de IA.
Na prática, a Meta passaria a competir diretamente com empresas como Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure, Google Cloud e provedores especializados como CoreWeave.
É um mercado gigantesco, mas também altamente competitivo.
A infraestrutura virou um negócio
Essa possível mudança revela algo maior sobre a corrida da inteligência artificial.
Durante muito tempo, data centers eram vistos apenas como uma despesa necessária.
Agora, eles se transformaram em ativos capazes de gerar receita própria.
É exatamente isso que empresas como CoreWeave fizeram: construíram infraestrutura para alugá-la a desenvolvedores de IA.
A diferença é que a Meta já estava construindo esses centros de dados para uso interno.
Se conseguir vender a capacidade ociosa, melhora significativamente o retorno sobre um investimento que já faria de qualquer forma.
O desafio vai além da tecnologia
Ter computadores é apenas parte da equação.
Empresas que contratam infraestrutura em nuvem esperam suporte técnico, ferramentas de desenvolvimento, segurança, equipes comerciais e contratos corporativos.
Esse é um mercado no qual Amazon, Microsoft e Google acumulam décadas de experiência.
Além disso, a Meta precisará convencer clientes de que seus modelos são competitivos.
Hoje, os sistemas mais avançados continuam sendo desenvolvidos por OpenAI, Anthropic e Google. Embora uma nova geração do Muse esteja prevista para este ano, ainda não está claro se ela terá desempenho suficiente para atrair empresas.
Por que isso importa
A possível mudança mostra que a corrida da inteligência artificial está entrando em uma nova fase.
Até aqui, as gigantes de tecnologia competiam para construir os melhores modelos.
Agora, elas também precisam descobrir como monetizar investimentos bilionários em infraestrutura.
Se a Meta realmente entrar no mercado de computação em nuvem, deixará de ser apenas uma empresa de redes sociais e publicidade.
Passará a disputar um dos negócios mais lucrativos da tecnologia.
No fim das contas, a inteligência artificial pode estar transformando não apenas os produtos dessas empresas.
Pode estar mudando completamente a forma como elas ganham dinheiro.