Mark Zuckerberg passou o último ano repetindo o mantra do "Ano da Eficiência" e forçando o retorno dos funcionários aos escritórios pelo menos três vezes por semana. Para garantir que ninguém estava batendo o crachá e indo embora, a Meta instalou um sistema interno de rastreamento chamado Internal Status. O problema é que a ferramenta não era apenas um controle de ponto gourmet: ela monitorava quando o funcionário travava a tela do computador, cruzava dados com os roteadores Wi-Fi dos prédios e basicamente calculava o tempo exato que a pessoa passava com a bunda colada na cadeira. Após uma onda massiva de protestos internos no fórum Workplace, onde os engenheiros acusaram a liderança de agir como microgestores paranoicos, a Meta teve que dar um passo atrás e desativar os recursos de vigilância em tempo real. Afinal, monitorar cientistas de dados renomados como se fossem operadores de telemarketing dos anos 90 não costuma fazer muito bem para o clima organizacional.
Por que isso importa: O recuo da Meta mostra o limite da corda na queda de braço entre as Big Techs e seus funcionários altamente qualificados no pós-pandemia. Embora o mercado de tecnologia esteja mais restrito e os trabalhadores tenham perdido o poder de barganha de antigamente, as empresas descobriram que vigiar cada passo da equipe destrói a moral e gera o temido "quiet quitting". Para a Meta, que precisa reter os melhores cérebros do mundo para não perder a corrida da inteligência artificial para o Google e para a OpenAI, a revolta interna provou que o custo de policiar a presença física estava saindo mais caro do que os eventuais minutos de cafezinho esticado.
Nos bastidores do protesto, os funcionários da Meta apontaram uma ironia deliciosa: a empresa que ganha bilhões de dólares rastreando os dados privados de metade do planeta no Instagram e no Facebook aparentemente não sabe como lidar com o conceito de privacidade quando os rastreados são seus próprios desenvolvedores. O sindicato informal de engenheiros da empresa celebrou a mudança nas regras como uma vitória contra a cultura do "teatro da presença" — aquela velha prática corporativa de ficar no escritório até tarde apenas para o chefe ver, mesmo que a produtividade real seja zero.
No fim do dia, Zuck descobriu que criar o Metaverso é fácil; o verdadeiro desafio de engenharia social é convencer um programador sênior de que ser vigiado pelo Wi-Fi da firma é para o próprio bem dele.