O renomado analista Mark Gurman revelou em sua newsletter Power On que a Apple recalculou a rota e adiou o lançamento dos seus tão aguardados óculos inteligentes (codinome N50) para o final de 2027. A ideia inicial era mostrar o brinquedinho ainda este ano, mas atrasos no desenvolvimento empurraram o cronograma para a frente. O plano de bastidores é ambicioso: em vez de criar um trambolho tecnológico para nichos, a Apple quer mirar no mercado tradicional de óculos de grau e de sol na faixa de US$ 200 a US$ 500, atropelando gigantes como Oakley e Ray-Ban do mesmo jeito que o Apple Watch engoliu a indústria de relógios suíços.
Por que isso importa
A Apple percebeu que o Vision Pro, com seu preço astronômico de US$ 3.499 e peso de um tijolo na testa, foi um tremendo fracasso comercial. A bola da vez no Vale do Silício agora são os óculos sem tela, focados puramente em áudio e Inteligência Artificial — uma categoria onde os óculos da Meta em parceria com a Ray-Ban estão vendendo como água. Com um mercado global de correção visual que movimenta US$ 200 bilhões anualmente e atende mais de 2 bilhões de pessoas, a Apple entendeu que o futuro não é criar uma realidade paralela enfurnado no quarto, mas sim colocar câmeras e a Siri na cara de todo mundo no meio da rua.
O que esperar do "iGlass" (sem tela, mas com "olhos")
Esqueça as lentes holográficas ou projeções de ficção científica dignas de Homem de Ferro; a primeira geração dos óculos da Apple não terá nenhuma tela. O dispositivo vai funcionar como um acessório de luxo conectado diretamente ao seu iPhone, rodando com processadores de baixo consumo herdados do Apple Watch. O foco total será na privacidade e na utilidade cotidiana: eles terão microfones, alto-falantes para música e chamadas, e lentes de câmera ovais (para se diferenciar das lentes redondas da Meta) capazes de identificar o que você está olhando usando a Apple Intelligence.
O vazamento também revelou que a Apple já testa quatro estilos de armação (incluindo designs retangulares clássicos e ovais) em cores como azul-oceano, marrom-claro e o indefectível preto. O projeto é tratado como "prioridade máxima" pelo CEO Tim Cook antes de passar oficialmente o bastão do comando da empresa para o sucessor John Ternus, programado para assumir em setembro.
O relatório de Gurman ainda trouxe um bônus para os ansiosos por atualizações de software: a Apple já começou a trabalhar secretamente no iOS 28 (codinome interno Bell) e no macOS 28 (Poppy), que estão sendo chamados carinhosamente nos corredores de Cupertino como "Boppy". Enquanto isso, os novos hardwares da Apple TV e do HomePod mini estão prontinhos na fábrica, apenas mofando no estoque à espera da nova Siri turbinada por IA que estreia no fim deste ano.
No fim das contas, a Apple está descobrindo que o segredo para vender tecnologia vestível não é tentar reinventar a roda, mas sim deixar o usuário com cara de intelectual de cafeteria. Se a Siri finalmente vai conseguir entender o que você está pedindo sem responder "isto é o que encontrei na web", aí já são outros quinhentos. Mas o modelo de negócios da agulhada fashion está contratado.