O agronegócio brasileiro enfrenta um de seus maiores desafios regulatórios no mercado internacional das últimas décadas.
A União Europeia oficializou o protocolo que prevê o veto à importação de carne bovina vinda do Brasil a partir de setembro. A decisão é o desfecho da implementação das regras de conformidade climática que proíbem a compra de commodities produzidas em áreas que sofreram desmatamento (legal ou ilegal). Com a medida, os exportadores nacionais correm contra o relógio para adaptar seus sistemas e evitar um travamento nos embarques para o bloco europeu.
A sanção eleva ao nível máximo a pressão sobre as cadeias de suprimentos de grandes frigoríficos e produtores independentes no país.
O gargalo da rastreabilidade total: os desafios da cadeia
A justificativa de Bruxelas para o veto temporário baseia-se na falta de padronização em larga escala de mecanismos que garantam a origem do gado do nascimento até o abate.
O nó da exportação: Embora os grandes frigoríficos brasileiros já utilizem monitoramento por satélite para barrar fazendas com problemas ambientais diretos, a União Europeia exige a rastreabilidade total dos chamados fornecedores indiretos. Trata-se das fazendas de cria e recria, que vendem os bezerros para as propriedades de engorda. Sem um chip, brinco eletrônico ou documento que unifique o histórico do animal desde os seus primeiros dias de vida, os lotes de carne passam a ser considerados inelegíveis para o padrão europeu de importação.
Essa exigência técnica gera um impacto severo principalmente para os pequenos e médios pecuaristas, que encontram dificuldades financeiras e operacionais para digitalizar o controle do rebanho no curto prazo.
Impacto financeiro e a busca por mercados alternativos
A oficialização do embargo aciona o plano de contingência das lideranças do agronegócio e do governo brasileiro para mitigar os prejuízos no balanço comercial.
O setor privado projeta que o fechamento temporário dos portos europeus provocará um redirecionamento imediato dos estoques de cortes premium para outros grandes mercados compradores, como a China, Estados Unidos e países do Oriente Médio. Paralelamente, diplomatas e entidades setoriais tentam negociar prazos de transição mais maleáveis ou o reconhecimento dos sistemas de certificação ambiental públicos do Brasil para que o fluxo comercial seja reestabelecido e normalizado antes do final do ano.