A Suécia passou séculos orgulhosa de sua neutralidade geopolítica, mas resolveu chutar o balde de vez e virar a nova grande fornecedora de armas da Europa. Em uma guinada histórica carimbada por sua recente entrada na Otan, o país escandinavo fechou um pré-acordo bilionário com Volodymyr Zelensky para vender 20 caças Gripen E da fabricante Saab para a Ucrânia. E o presidente ucraniano já avisou que o apetite é grande: ele quer esticar essa conta para até 150 aeronaves no médio prazo. Para os suecos, que costumavam ser conhecidos mundialmente pelos móveis minimalistas da Ikea e pelas músicas do ABBA, mandar caças supersônicos para o front é a prova definitiva de que o clima na Europa mudou — e não foi por causa do aquecimento global.
Por que isso importa: Essa movimentação reposiciona a indústria de defesa europeia, reduzindo a dependência histórica dos caças americanos e colocando a Saab no mesmo patamar de gigantes globais do setor. Além do acordo com a Ucrânia, a empresa sueca está faturando alto vendendo aviões de alerta aéreo (os radares voadores GlobalEye) para países como a França. O foco estratégico do continente mudou totalmente para o norte com um objetivo único e cristalino: criar um cinturão de contenção militar contra as ambições expansionistas de Vladimir Putin.
Quem está olhando esse show de camarote com um misto de orgulho e ansiedade é a Força Aérea Brasileira. O Brasil escolheu o Gripen como o caça oficial da nossa defesa nacional lá atrás, e a parceria com os suecos inclui a produção de unidades em solo nacional, na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto. A Saab acaba de lançar a versão de dois lugares do avião, o Gripen F, desenvolvida sob encomenda para o mercado brasileiro. A piada pronta na Faria Lima é que o Brasil conseguiu a proeza de comprar um caça quando ele era um projeto alternativo e agora descobriu que anda de braço dado com o fornecedor mais cobiçado pelos militares europeus.
No fim das contas, a Suécia provou que sabe fazer muito mais do que almôndegas congeladas e armários fáceis de montar. Se Putin achou que ia isolar os vizinhos, só conseguiu fazer a carteira de pedidos da Saab decolar mais rápido que a velocidade do som.