O termômetro do planeta está prestes a subir de vez.
A Organização Meteorológica Mundial, braço da ONU, confirmou que as chances de o fenômeno El Niño se desenvolver até o fim de agosto atingiram impressionantes 80%. O padrão climático, que surge de tempos em tempos, promete bagunçar o comércio, a agricultura e o setor de energia global.
Tudo começa no Oceano Pacífico. Ventos que normalmente sopram de leste para oeste enfraquecem ou mudam de rumo. Isso empurra águas quentes, que deveriam ir para a Ásia, de volta para as Américas.
A ciência ainda não sabe exatamente o motivo desse curto-circuito nos ventos. Mas o resultado é sempre o mesmo: drama meteorológico em escala global.
O perigo do prefixo "Super"
Se um El Niño comum já assusta, a versão "Super" é o verdadeiro pesadelo dos cientistas.
E as chances de isso acontecer acabam de saltar para 37%. Um El Niño padrão é batizado quando as águas sobem meio grau Celsius. O "Super" acontece quando a temperatura do Pacífico ultrapassa dois graus acima da média.
Dados recentes sugerem que uma onda profunda de água anormalmente quente pode elevar as temperaturas do oceano ao maior nível em uma década. O resultado prático? O ano de 2027 pode quebrar todos os recordes históricos de calor na Terra.
O rastro de destruição na economia
O impacto vai muito além de um guarda-chuva quebrado ou de um dia abafado.
Na Austrália e no Sudeste Asiático, o fenômeno costuma secar a terra, abrindo caminho para incêndios florestais devastadores. Enquanto isso, o sul dos Estados Unidos e a América Central enfrentam o risco oposto: inundações severas e furacões muito mais imprevisíveis.
Cientistas alertam que o fenômeno atual será turbinado pelo aquecimento global. Isso deve sufocar cadeias de suprimentos que já estão fragilizadas, afetando desde a distribuição de combustíveis até a produção de fertilizantes.
Para se ter uma ideia do tamanho do estrago financeiro, um estudo da Universidade de Dartmouth estimou que o El Niño de 1997–1998 causou um rombo de US$ 5,7 trilhões no PIB global nos cinco anos seguintes. O recado está dado, e o prejuízo pode ser histórico.