Miami consolidou de vez sua transformação de destino de férias para um dos principais centros de negócios do mundo.
O mercado de escritórios comerciais de alto padrão (Classe A) na cidade do sul da Flórida está registrando recordes sucessivos de preço por metro quadrado e taxas de ocupação lá no topo. Esse aquecimento vem atraindo uma onda massiva de empresários, multinacionais e fundos de investimento imobiliário brasileiros, que buscam dolarizar o patrimônio em um setor de alta demanda.
O fenômeno é alimentado pelo apelido que a cidade ganhou nos últimos anos: "Wall Street do Sul", reflexo da debandada de fundos de hedge e empresas de tecnologia de Nova York e da Califórnia em direção ao território florense.
A rota do dinheiro brasileiro na Flórida
O investidor brasileiro, que tradicionalmente comprava apartamentos residenciais em Miami, mudou o foco para o segmento comercial.
A busca por escritórios na região é estratégica. Além de fundos que compram lajes inteiras para locação, há um movimento forte de family offices e empresas brasileiras de médio e grande porte abrindo sedes físicas em bairros como Brickell e Downtown Miami para estruturar suas operações internacionais.
Essa migração corporativa cria um efeito de rede: escritórios de advocacia, consultorias e gestoras de patrimônio do Brasil estão abrindo filiais na cidade para atender a essa própria base de clientes que se mudou para lá.
Escassez de espaço e aluguéis nas alturas
Diferente de outras metrópoles americanas que ainda sofrem com o esvaziamento pós-pandemia, o centro financeiro de Miami enfrenta falta de espaço.
Bairros como Brickell registram uma das menores taxas de vacância dos Estados Unidos. A disputa por metros quadrados corporativos fez o preço dos aluguéis disparar, colocando a cidade no mesmo patamar de custos de ocupação de mercados tradicionalmente caros, como Manhattan e Londres.
Com novos arranha-céus comerciais ainda em fase de construção e uma fila de empresas esperando para entrar, o mercado corporativo de Miami mostra que deixou de ser uma bolha passageira para se firmar como a nova capital financeira das Américas.