Donald Trump cansou de deixar o cargo de embaixador americano em Brasília pegando poeira e resolveu enviar um recado bem claro para o Palácio do Planalto. O escolhido para a missão é Daniel Perez, um político em ascensão meteórica que comanda a Assembleia Legislativa da Flórida. Filho de imigrantes cubanos e nascido em Miami, Perez não é exatamente o perfil clássico do diplomata de carreira que fala mansa e evita polêmicas. Ele pertence ao núcleo duro do trumpismo na Flórida, o que significa que o Itamaraty pode esquecer o tratamento "paz e amor" dos tempos de Joe Biden. Se o governo brasileiro achava que a relação com Washington ia continuar em banho-maria, acaba de ganhar um vizinho de embaixada que tem visões bem rígidas sobre a esquerda na América Latina.

Por que isso importa: A indicação de Perez funciona como uma peça de xadrez em um momento de extrema tensão diplomática silenciosa entre os dois países. Recentemente, o Departamento de Estado americano classificou as maiores facções criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) — uma canetada que atropelou a soberania nacional e irritou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ao colocar um político da Flórida focado em segurança e pautas anticomunistas no coração de Brasília, Trump sinaliza que vai cobrar alinhamento geopolítico de forma muito mais agressiva.

Chama a atenção o fato de Perez ter colocado o Brasil no mesmo balaio de países "problemáticos" da região, como Venezuela e Colômbia, em declarações recentes sobre os desafios ideológicos do continente. Para quem está acostumado com o pragmatismo das relações comerciais da soja e do minério de ferro, ter um embaixador que enxerga o país pelo prisma da segurança ideológica promete chacoalhar o PIB. O Senado americano ainda precisa sabatinar e aprovar o rapaz — mas, com a maioria republicana que Trump tem nas mãos, isso vai ser mais rápido do que aprovação de emenda parlamentar na véspera do recesso.

No fim das contas, a diplomacia brasileira vai precisar trocar os discursos longos e cheios de salamaleques por uma boa dose de pragmatismo. O novo xerife da embaixada americana fala espanhol fluente, entende de política de bastidor e não veio para o Brasil para passar as férias em Copacabana.