O número de brasileiros milionários voltou a crescer em ritmo acelerado.
Segundo o Global Wealth Report, do UBS, o país ganhou 92 mil novos milionários em dólares em 2025, um dos maiores avanços do mundo no período. Com isso, o Brasil passou a ter aproximadamente 433 mil pessoas com patrimônio superior a US$ 1 milhão, consolidando sua posição como o país com o maior número de milionários da América Latina.
O dado faz parte de um movimento global de enriquecimento impulsionado pela valorização dos mercados financeiros e de ativos ao longo do último ano.
O patrimônio cresceu em quase todo o mundo
O relatório mostra que a riqueza global voltou a avançar em 2025, puxada principalmente pela recuperação das bolsas, pela valorização de imóveis em diversos mercados e pelo desempenho dos ativos financeiros.
Os Estados Unidos seguiram liderando esse movimento, adicionando mais de mil novos milionários por dia, mas economias emergentes como o Brasil também se destacaram. O crescimento da riqueza brasileira foi suficiente para colocar o país entre os mercados que mais ampliaram sua população de milionários em termos absolutos.
Embora esse avanço reflita um ambiente mais favorável para investimentos, ele não significa necessariamente que a riqueza esteja sendo distribuída de forma mais ampla.
Mais milionários não significa menos desigualdade
Esse talvez seja o aspecto mais curioso do levantamento.
Ao mesmo tempo em que o número de milionários cresce, o Brasil continua figurando entre os países com maior concentração de riqueza do mundo. O próprio relatório do UBS mostra que boa parte do patrimônio das famílias brasileiras permanece concentrada em uma parcela muito pequena da população, enquanto a desigualdade segue elevada.
Ou seja, o aumento da riqueza ocorreu principalmente entre quem já possuía ativos financeiros, imóveis ou participação em empresas que se valorizaram ao longo do ano.
Uma nova geração de fortunas está surgindo
O perfil desses milionários também vem mudando.
Nos últimos anos, tecnologia, mercado financeiro e empreendedorismo passaram a ocupar espaço cada vez maior na formação de grandes patrimônios, reduzindo a dependência de setores tradicionais como indústria e agronegócio. Ao mesmo tempo, investidores de alta renda passaram a diversificar mais seus recursos entre diferentes instituições financeiras, plataformas digitais e gestores independentes.
Essa transformação acompanha uma tendência global: riqueza cada vez mais ligada à valorização de ativos e à economia digital.
O próximo desafio será a sucessão
O crescimento do patrimônio privado também cria outro desafio.
Segundo o UBS, o Brasil deverá transferir quase US$ 9 trilhões em patrimônio entre gerações nas próximas décadas, tornando-se um dos maiores mercados de sucessão patrimonial do mundo. Isso deve impulsionar a demanda por planejamento sucessório, gestão de patrimônio e family offices.
Para bancos e gestoras, esse pode ser um dos mercados mais promissores dos próximos anos.
Por que isso importa
O avanço no número de milionários mostra que o Brasil participou do ciclo global de valorização da riqueza observado em 2025.
Mas o dado também reforça uma característica histórica do país: crescimento patrimonial não significa, necessariamente, redução da desigualdade. Enquanto centenas de milhares de brasileiros cruzaram a marca de US$ 1 milhão em patrimônio, a riqueza continua altamente concentrada.
Para o mercado financeiro, a tendência representa uma oportunidade para bancos, gestoras e empresas de planejamento patrimonial. Para a economia como um todo, ela reforça um desafio antigo: transformar o aumento da riqueza em crescimento mais amplo e distribuído.
