A busca por vida extraterrestre no Sistema Solar pode terminar com um reencontro de família inesperado.

Um novo estudo astrobiológico aponta que, se encontrarmos organismos vivos sob a crosta de gelo de Europa, uma das luas mais promissoras de Júpiter, há uma chance altamente plausível de que eles sejam, na verdade, parentes distantes dos terráqueos.

O fenômeno por trás disso é a litopanspermia, a teoria de que a vida pode viajar entre planetas pegando carona em rochas espaciais.

A rota de fuga dos micróbios terrestres

A mecânica desse intercâmbio planetário aconteceu no passado violento do nosso sistema.

Ao longo de bilhões de anos, impactos de grandes asteroides colidiram com a Terra com força suficiente para arremessar pedaços da crosta terrestre direto para o espaço. Rochas repletas de bactérias extremófilas, capazes de sobreviver ao vácuo e à radiação, foram ejetadas para fora da nossa órbita.

Simulações de computador mostram que uma fração desses detritos terrestres pegou a rota de Júpiter e acabou colidindo com suas luas, incluindo Europa. Ao caírem nas rachaduras do gelo, esses microrganismos podem ter encontrado um ambiente ideal para prosperar no oceano aquecido por atividade geotérmica.

O desafio de identificar a vida "nativa"

Essa contaminação histórica cria um nó na cabeça dos cientistas que planejam as próximas missões espaciais.

Se os futuros robôs da NASA ou da Agência Espacial Europeia coletarem amostras de água de Europa e encontrarem material genético baseado em DNA ou RNA semelhante ao nosso, será difícil determinar se a vida surgiu de forma independente no espaço ou se veio em uma rocha brasileira ou africana há 100 milhões de anos.

A descoberta não diminui o fascínio de explorar o oceano alienígena de Europa. Ela apenas prova que a vida, quando encontra uma brecha, é um vírus cósmico teimoso que dificilmente respeita as fronteiras entre os planetas.