O Brasil tem, historicamente, a fama de ser o "país do futuro" que exporta minério bruto e importa tecnologia. Mas a mineradora australiana Viridis resolveu reescrever esse roteiro em solo mineiro. A empresa inaugurou uma planta piloto em Poços de Caldas (MG) capaz de extrair e processar óxido de terras raras, os minerais ultra-atrativos e indispensáveis para a fabricação de ímãs de alta potência, motores de carros elétricos e turbinas eólicas, pelo custo inacreditável de US$ 9,30 por quilo. Esse é o menor custo operacional do planeta para esse tipo de mineral. Enquanto potências como os EUA, a própria Austrália e a China precisam triturar rochas em processos caríssimos e altamente poluentes, a Viridis descobriu que no Brasil a natureza facilitou o trabalho.

Por que isso importa: A transição energética global e a segurança nacional do Ocidente dependem desesperadamente de alternativas à China, que hoje abocanha quase a totalidade do refino de terras raras no mundo. A operação da Viridis em Minas Gerais tem o potencial técnico de atender sozinha cerca de 7% da demanda mundial por terras raras magnéticas. Mais do que cavar um buraco no chão, o projeto coloca o Brasil na rota do refino industrial de alto valor agregado, atraindo o olhar e o bolso de governos e instituições financeiras dos EUA e da Europa, que já estão em conversas avançadas para financiar a expansão do complexo.

O grande segredo por trás desse milagre econômico de US$ 9,30 está no tipo de depósito mineral encontrado na região: as chamadas argilas iônicas. Em vez de gastar rios de eletricidade e produtos químicos pesados para quebrar pedras, os engenheiros conseguem lavar a argila com uma solução salina simples (como sulfato de amônio) para liberar os elementos valiosos. É uma mineração mais barata, infinitamente mais limpa e colada em uma matriz energética que no Brasil já é amplamente renovável.

A confiança no projeto é tamanha que 25% da composição acionária da mineradora "estrangeira" já pertence a investidores e grupos institucionais brasileiros. Como bem definiu o CEO da Viridis, Rafael Moreno, o mercado global não os enxerga mais como uma empresa da Austrália, mas sim como a melhor operação de terras raras do mundo. O recado geopolítico está dado: quem quiser mover os motores do século XXI vai ter que aprender a falar "Uai".