A Ucrânia está em uma situação delicada. Recentemente, ataques de mísseis balísticos russos atingiram Kiev, mas as defesas aéreas ucranianas ficaram de mãos atadas. O motivo? Seus lançadores de mísseis interceptadores Patriot estavam, simplesmente, vazios. Essa escassez crítica da única arma capaz de abater os projéteis balísticos de Moscou está expondo uma lacuna perigosa na defesa do país, justamente quando a Rússia intensifica seus ataques às vésperas do inverno.
A Crise da Defesa Aérea
Autoridades ucranianas confirmaram que o pequeno número de interceptadores fornecidos por Washington já havia sido esgotado nas semanas anteriores aos ataques de 5 e 8 de agosto. Nesses dias, a Ucrânia não conseguiu interceptar nenhum dos mísseis disparados contra a capital. A Força Aérea da Ucrânia chegou a relatar que, em 5 de agosto, a Rússia lançou 24 mísseis balísticos e 115 drones. Embora 98 drones tenham sido abatidos, nenhum míssil foi interceptado.
Essa situação acendeu um alerta em Kiev: o otimismo que o país sentiu no início do verão (no Hemisfério Norte) com ataques de longo alcance dentro da Rússia pode estar se dissipando. A cautela dos EUA em relação a uma escalada do conflito e os estoques reduzidos dos aliados estão deixando a Ucrânia cada vez mais vulnerável à crescente campanha de mísseis de Moscou.
O Silêncio da Guerra
A escassez é tão severa que a Força Aérea da Ucrânia parou de divulgar rotineiramente o número de mísseis lançados pela Rússia. O objetivo é evitar revelar quantos deles não conseguem interceptar, uma medida de segurança que também visa preservar o moral da população. O presidente Volodimir Zelenski expressou sua frustração no X (antigo Twitter) após o bombardeio, criticando os parceiros da Ucrânia pela demora em fornecer defesas aéreas adicionais.
Ele enfatizou a necessidade de mais proteção para seu povo, afirmando que mísseis interceptadores para sistemas como Patriot, SAMP/T, NASAMS, Hawk e até os F-16 funcionam e protegem vidas quando estão na Ucrânia, e não armazenados em depósitos a milhares de quilômetros de distância.
O Que Vem Por Aí?
Kiev estima que precisa de pelo menos 300 interceptadores PAC-3 para seus sistemas Patriot. Isso seria o mínimo para resistir ao que as autoridades esperam ser mais um inverno de ataques intensos com mísseis e drones russos, mirando infraestruturas essenciais como eletricidade, gás e água.
O problema é que, enquanto os estoques ucranianos diminuem, Moscou aumentou a produção e o uso de seus mísseis balísticos. Em julho, a Rússia lançou um recorde de 198 mísseis balísticos e hipersônicos, produzindo cerca de 65 mísseis balísticos por mês, segundo a inteligência militar ucraniana.
Por que isso importa
A escassez de interceptadores não é apenas um problema militar; é uma crise humanitária e política. A capacidade da Ucrânia de se defender diretamente impacta a vida de milhões de civis e a integridade de sua infraestrutura. A relutância de alguns aliados em fornecer mais armamentos, motivada por questões políticas e a preocupação com a escalada do conflito, pode ter consequências devastadoras. Além disso, a situação expõe as tensões diplomáticas e a complexidade da ajuda internacional em cenários de guerra, mostrando como a política interna de um país pode afetar diretamente o destino de outro.