Prepare-se para mais um capítulo tenso na diplomacia global. Os Estados Unidos acabam de lançar uma ofensiva econômica “sem precedentes” contra o Irã, batizada de “Operation Economic Outcast”. O objetivo? Isolar financeiramente o regime iraniano e, de quebra, dar um ultimato a qualquer país que ainda mantenha relações comerciais consideradas “inaceitáveis” por Washington.

O ultimato de Washington

O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, não poupou palavras ao descrever a nova estratégia como um “Dia D econômico”. Basicamente, é um aviso final: ou os países cortam seus laços comerciais com o Irã, ou correm o risco de ver suas empresas e entidades importantes serem excluídas do sistema financeiro global baseado no dólar. A ideia é cortar todas as fontes de receita do Irã, especialmente aquelas que financiam a Guarda Revolucionária Islâmica.

Por que isso importa: A escalada na pressão econômica dos EUA contra o Irã pode ter repercussões globais significativas. Além de impactar a já fragilizada economia iraniana, essa medida pode gerar novas tensões geopolíticas, especialmente com países como a China, que são grandes importadores de petróleo iraniano. Para o Brasil, isso significa acompanhar de perto a volatilidade nos mercados de energia e a dinâmica das relações internacionais, que podem afetar o comércio e o fluxo de investimentos.

As novas frentes de sanções

As sanções setoriais anunciadas são abrangentes e miram as principais avenidas de sobrevivência do Irã no comércio internacional. Elas incluem: ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo. Além disso, o Tesouro americano está sancionando mais de 60 entidades, indivíduos e embarcações envolvidos na aquisição de tecnologia nuclear e de mísseis, operações cibernéticas e geração de receitas com petróleo. A mensagem é clara: não haverá “espaço de respiro” para o regime iraniano.

Bessent deixou claro que as equipes do Tesouro, do Departamento de Estado e das Forças Armadas dos EUA estão em reuniões com seus pares ao redor do mundo, exigindo medidas concretas. Cada país terá um prazo para interromper as atividades identificadas. Caso contrário, Washington agirá unilateralmente. “Qualquer entidade que facilite a lavagem de dinheiro em nome do Irã será excluída do sistema do dólar americano”, enfatizou Bessent.

O dilema chinês e as ameaças iranianas

Um dos pontos mais delicados dessa ofensiva é como os EUA lidarão com a China, o maior importador de petróleo iraniano. Embora o Tesouro já tenha sancionado refinarias chinesas independentes, uma restrição em larga escala a instituições financeiras chinesas que facilitam essas transações poderia criar um novo foco de tensão entre Washington e Pequim, especialmente às vésperas de um encontro entre os presidentes dos dois países. Bessent, porém, tem sido cauteloso, sugerindo que “muitas conversas são melhores quando realizadas em particular”.

Do lado iraniano, a resposta não demorou. O chefe de segurança do país, Mohsen Rezaei, ameaçou atacar interesses de países vizinhos ricos em petróleo caso apoiem os esforços dos EUA. Ele também prometeu impedir que “uma única gota de petróleo sequer” deixe o Golfo se a “guerra econômica” continuar. O país também emitiu um alerta à navegação, exigindo autorização para atravessar o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio global de petróleo.

A economia iraniana sob pressão e a busca por mediação

A economia do Irã já está em queda livre, enfrentando inflação elevada, escassez de energia e fragilidades estruturais, agravadas pela guerra e pelas sanções. A desvalorização do rial, a moeda local, atingiu uma nova mínima histórica. Apesar da postura desafiadora, autoridades iranianas expressam preocupação com o impacto das novas punições na população, temendo o ressurgimento de protestos.

Em meio a esse cenário, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, visitou Teerã em uma missão de mediação. Munir, que tem uma relação próxima com o presidente Trump, busca promover a paz e a estabilidade regional. A Casa Branca não comentou, mas a tentativa de mediação indica a gravidade da situação e a busca por uma saída diplomática para evitar uma escalada ainda maior no conflito.