A Oura, a empresa por trás dos populares anéis inteligentes de monitoramento de saúde, está se preparando para um IPO (Oferta Pública Inicial) que pode levantar até US$ 2,2 bilhões. No entanto, a grande sacada aqui é que a maior fatia desse bolo não vai para o caixa da empresa, mas sim para os bolsos dos seus acionistas atuais. É quase como se a Oura estivesse usando o mercado de capitais para dar uma saída elegante e lucrativa para seus investidores de longa data.

Detalhes do IPO e quem leva o quê

De acordo com os documentos atualizados do IPO, a Oura e seus acionistas estão oferecendo um total de 50 milhões de ações, com um preço que varia entre US$ 40 e US$ 44 por ação. A parte mais interessante é que 36,5 milhões dessas ações – quase dois terços do total – serão vendidas pelos acionistas existentes. Se a empresa listar suas ações a US$ 42 (o ponto médio da faixa de preço), isso significaria cerca de US$ 1,53 bilhão para os acionistas e apenas US$ 567 milhões para a própria Oura, antes de taxas e despesas.

O grande vencedor: Forerunner Ventures

Quem está rindo à toa com essa operação é a Forerunner Ventures, o segundo maior acionista da Oura. A firma de capital de risco planeja vender sua participação total de 9,3%, o que representa cerca de 28,7 milhões de ações. Se as ações listarem a US$ 42, a Forerunner embolsará aproximadamente US$ 1,20 bilhão antes de taxas. Para contextualizar, a Forerunner investiu na Oura pela primeira vez em 2020, durante a rodada Série B de US$ 28 milhões. É uma valorização e tanto!

O que sobra para a Oura?

A Oura não está tratando este IPO como um evento de arrecadação de fundos tradicional. Dos US$ 532,6 milhões líquidos que a empresa espera receber (considerando o preço de US$ 42 por ação), cerca de US$ 526,4 milhões serão usados para quitar obrigações fiscais acumuladas relacionadas a concessões de ações para funcionários que serão liberadas no momento do IPO. Isso deixaria a empresa com meros US$ 6,2 milhões para propósitos corporativos gerais. É uma estratégia audaciosa que mostra a confiança da Oura em sua posição financeira atual, já que não precisa recorrer a dívidas ou gastar seu caixa (que estava em aproximadamente US$ 372 milhões no final de junho) para cumprir essas obrigações.

Por que isso importa?

Essa abordagem do IPO da Oura é um exemplo fascinante de como as empresas podem usar o mercado público de maneiras não convencionais. Em vez de ser primariamente uma rodada de captação de recursos para impulsionar o crescimento, este IPO serve como um evento de liquidez para os primeiros investidores e uma forma de a empresa resolver suas obrigações fiscais sem impactar seu capital de giro. Para o mercado, isso sinaliza uma empresa com saúde financeira robusta e um modelo de negócios que gera valor, mesmo que a maior parte da injeção inicial de capital beneficie os acionistas existentes. É uma manobra de