O BTG Pactual não quer ser só mais um no mercado de adquirência. O banco acaba de lançar oficialmente o BTG Pay, sua plataforma completa de pagamentos que mira em transações entre empresas (B2B), um setor gigantesco e cheio de oportunidades. A ideia é trazer a agilidade e a facilidade dos pagamentos do varejo para o complexo mundo corporativo, oferecendo soluções que, segundo o banco, ainda não existem no mercado.
Depois de quase um ano em desenvolvimento e um "soft launch", o BTG está mostrando todo o seu arsenal. O portfólio inclui um cartão de crédito B2B, maquininhas de pagamento, link de pagamento e uma solução de split payment, além de outros serviços financeiros. Parece que o BTG está entrando com tudo para abocanhar uma fatia considerável de um mercado que movimenta trilhões de reais.
Por que isso importa?
O mercado de adquirência no Brasil já é bem concorrido, com mais de 300 players. A entrada do BTG Pactual, um dos maiores bancos de investimento da América Latina, não é apenas mais uma no meio da multidão. A aposta em um modelo diferenciado para o B2B pode revolucionar a forma como empresas fazem negócios, tornando as transações mais eficientes e menos custosas. Para as empresas, isso significa mais tempo para focar no que realmente importa: crescer.
A proposta de valor do BTG Pay
O grande diferencial do BTG Pay é levar a fluidez dos pagamentos B2C para o B2B. Isso significa que o cartão BTG Pay vai permitir que compradores e vendedores negociem prazos e condições de pagamento de forma muito mais flexível, seja à vista ou parcelado. Esses parâmetros e limites de transação serão adaptados ao perfil de cada cliente, algo que hoje é um desafio com os métodos tradicionais.
Para garantir essa flexibilidade, o BTG criou um arranjo fechado: os cartões levam a bandeira BTG Pay e só podem ser usados nas próprias maquininhas do banco. Além disso, a plataforma conta com recursos automatizados e integrados, como conciliação, pagamentos e recebimentos em lote. A promessa é resolver as quatro grandes dores das empresas: receber, pagar, conciliar e se financiar, tudo em uma única experiência.
De olho em um mercado bilionário
O BTG Pactual não está brincando em serviço. O banco estima que o mercado que eles podem acessar com essa nova plataforma é de aproximadamente R$ 50,5 trilhões. Esse valor inclui os R$ 4,5 trilhões do mercado de adquirência, mais R$ 11 trilhões em transações B2B via boleto e os impressionantes R$ 35 trilhões em pagamentos B2B feitos por TED ou Pix. É um bolo gigantesco, e o BTG quer uma fatia considerável dele.
Para se ter uma ideia do potencial, a área BTG Pactual Empresas, criada em 2019 e que encampou essa oferta, já atende companhias com faturamento de até R$ 300 milhões em mais de 95% das cidades brasileiras. A carteira de crédito dessa divisão saltou de R$ 2,2 bilhões em 2019 para R$ 32,1 bilhões em 2025, mostrando o crescimento robusto do segmento de pequenas e médias empresas que o banco já atende. Essa base de clientes é um terreno fértil para o BTG Pay.
O futuro dos pagamentos B2B
Com o BTG Pay, o banco espera consolidar uma alternativa mais ágil e menos burocrática que os boletos, duplicatas e TEDs, que ainda são muito usados nas transações B2B. E, ao mesmo tempo, oferecer mais flexibilidade nas condições de pagamento do que o Pix, que, embora rápido, muitas vezes não permite a negociação de prazos. A aposta é que as empresas migrem para esse novo modelo, tornando o dia a dia financeiro muito mais simples e eficiente. Ou seja, o BTG quer ser o parceiro financeiro completo para o seu negócio.