Se existe uma tendência que domina a saúde humana atualmente, ela atende pelo nome de Ozempic e Mounjaro. Agora, essa mesma lógica está chegando ao mercado pet.
Roberto Funari, ex-CEO da Alpargatas, está apostando que suplementos voltados para longevidade, bem-estar e controle de peso dos animais podem se tornar uma das próximas grandes categorias do setor pet brasileiro. Sua meta é ambiciosa: ajudar a criar um mercado de R$ 1 bilhão no país.
A tese é simples.
Os donos de pets estão gastando cada vez mais para aumentar a qualidade e a expectativa de vida de seus animais.
E isso está criando uma oportunidade que lembra o boom da saúde preventiva entre humanos.
O pet virou filho. E isso muda tudo.
Durante décadas, a indústria pet girou em torno de ração, vacinas e consultas veterinárias.
Hoje, a conversa é outra.
Os consumidores buscam suplementos para articulações, saúde intestinal, pele, ansiedade, imunidade e envelhecimento saudável dos animais.
É a chamada "humanização dos pets".
Na prática, os donos passaram a aplicar nos cães e gatos os mesmos hábitos de saúde e bem-estar que adotam para si próprios.
Foi essa mudança de comportamento que chamou a atenção de Funari.
A aposta na próxima fronteira do mercado pet
A nova empresa do executivo, a Wigow, nasceu focada em suplementos e vitaminas para cães.
O investimento inicial foi de aproximadamente R$ 8 milhões e a estratégia é atacar um mercado ainda pouco explorado no Brasil, mas que já movimenta bilhões em países mais maduros, como os Estados Unidos.
Segundo Funari, o mercado americano de suplementos para pets movimenta mais de R$ 9 bilhões por ano.
No Brasil, o segmento ainda representa uma fração desse tamanho.
É justamente essa diferença que sustenta a tese de crescimento.
Por que o "Mounjaro dos cães"?
A comparação não é literal.
A empresa não está desenvolvendo uma versão veterinária do medicamento.
O paralelo está na tendência.
Assim como medicamentos como Ozempic e Mounjaro transformaram a forma como as pessoas encaram peso, longevidade e saúde preventiva, o mercado pet começa a buscar soluções voltadas para aumentar qualidade de vida e prevenir problemas futuros.
O raciocínio é semelhante:
Investir em prevenção hoje para evitar problemas mais caros amanhã.
Um mercado que não para de crescer
O setor pet brasileiro já é um dos maiores do mundo.
Mesmo em períodos de desaceleração econômica, os gastos com animais costumam ser mais resilientes do que outras categorias de consumo.
A razão é emocional.
Poucos consumidores cortam despesas relacionadas aos seus animais de estimação da mesma forma que cortam viagens, eletrônicos ou itens de lazer.
Esse comportamento transformou o mercado pet em um dos segmentos mais atrativos para empreendedores e investidores nos últimos anos.
A oportunidade está nos hábitos, não nos remédios
O aspecto mais interessante da aposta talvez não seja o produto em si.
É a mudança cultural.
Há dez anos, vitaminas e suplementos eram um nicho dentro da saúde humana.
Hoje, fazem parte da rotina de milhões de pessoas.
A aposta de Funari é que o mesmo movimento aconteça com os animais de estimação.
Se isso se confirmar, o mercado de suplementos pet pode deixar de ser uma categoria de nicho para se tornar um hábito recorrente de consumo.
Por que isso importa
Porque a história não é apenas sobre cães.
É sobre uma das maiores tendências de consumo da atualidade: a transformação da saúde preventiva em um mercado bilionário.
Primeiro aconteceu com academias.
Depois com vitaminas.
Em seguida vieram Ozempic e Mounjaro.
Agora, essa onda começa a chegar ao universo pet.
E, se os consumidores continuarem tratando seus animais cada vez mais como membros da família, o próximo mercado bilionário pode nascer justamente na interseção entre saúde, longevidade e pets.
