Quando a conversa gira em torno de inteligência artificial, os holofotes normalmente apontam para nomes como Sam Altman, Jensen Huang, Elon Musk ou Mark Zuckerberg.

Mas existe outro personagem acumulando influência silenciosamente.

Seu nome é Larry Ellison.

Aos 81 anos, o fundador da Oracle possui uma fortuna estimada em US$ 219 bilhões e vem se tornando uma das figuras mais influentes na interseção entre tecnologia, infraestrutura de IA e política americana. Nos bastidores de Washington, poucos bilionários parecem estar tão bem posicionados para se beneficiar das prioridades da segunda administração Trump quanto Ellison.

Uma reportagem do Wall Street Journal ajuda a explicar por quê.

A relação com Trump vai além das doações

Larry Ellison nunca escondeu sua simpatia por Donald Trump.

Segundo o Wall Street Journal, o bilionário destinou cerca de US$ 45 milhões para uma organização que apoiou a campanha presidencial de Trump em 2024. Desde então, continuou financiando iniciativas alinhadas ao governo, enquanto empresas ligadas ao seu império passaram a ocupar posições estratégicas em projetos prioritários da Casa Branca.

Mas o aspecto mais interessante não é o valor das contribuições.

É o nível de proximidade.

Um episódio relatado pelo jornal ilustra bem essa relação. Em janeiro de 2025, um dia após a posse presidencial, Ellison chegou à Casa Branca para participar do anúncio do projeto Stargate, iniciativa privada de US$ 500 bilhões voltada para a construção de infraestrutura de inteligência artificial nos Estados Unidos.

Havia apenas um problema.

Ele esqueceu o passaporte e não possuía documento de identificação para apresentar ao Serviço Secreto.

Segundo o relato, Trump resolveu a situação pessoalmente dizendo aos agentes:

"Todo mundo sabe quem Larry é."

Ellison entrou.

Poucas histórias explicam melhor seu nível de acesso.

Oracle virou peça central da estratégia americana para IA

A influência de Ellison não estaria chamando tanta atenção se ficasse restrita à política.

Mas ela coincide com um momento particularmente favorável para seus negócios.

A Oracle foi escolhida como uma das principais parceiras do projeto Stargate, considerado um dos maiores investimentos privados em infraestrutura de inteligência artificial da história dos Estados Unidos. O plano prevê centenas de bilhões de dólares destinados à construção de data centers, capacidade computacional e infraestrutura energética para sustentar o crescimento da IA.

Durante anos, Oracle foi vista como uma empresa relevante, mas distante da primeira divisão da computação em nuvem, dominada por Amazon, Microsoft e Google.

A explosão da IA mudou essa dinâmica.

Subitamente, possuir capacidade para hospedar modelos avançados se tornou um ativo extremamente valioso.

E a Oracle está no centro dessa transformação.

O império Ellison vai muito além da Oracle

Existe outra dimensão dessa história.

O filho de Larry, David Ellison, também vem expandindo rapidamente sua influência.

Nos últimos meses, sua empresa concluiu a aquisição da Paramount e avançou em negociações envolvendo a Warner Bros. Discovery, operações que receberam sinal verde do Departamento de Justiça americano.

Separadamente, esses movimentos já seriam relevantes.

Juntos, sugerem algo maior.

A família Ellison está construindo influência simultaneamente em infraestrutura tecnológica, inteligência artificial, mídia e entretenimento — exatamente os setores que mais importam na economia digital contemporânea.

Não é exagero dizer que poucos grupos familiares possuem hoje uma presença tão abrangente em áreas estratégicas dos Estados Unidos.

A nova elite da IA não é formada apenas por fundadores

Grande parte da cobertura sobre inteligência artificial costuma focar nos criadores dos modelos.

Sam Altman na OpenAI.

Dario Amodei na Anthropic.

Elon Musk na xAI.

Mas a corrida da IA está criando uma segunda camada de vencedores.

São os fornecedores da infraestrutura.

Quem fornece energia.

Quem fornece chips.

Quem fornece capacidade computacional.

Quem fornece data centers.

Nesse grupo, Larry Ellison ocupa uma posição privilegiada.

Afinal, modelos de IA não funcionam apenas com algoritmos.

Eles precisam de uma quantidade gigantesca de infraestrutura física.

E infraestrutura é exatamente o negócio da Oracle.

Por que isso importa

A ascensão de Larry Ellison mostra que a corrida da inteligência artificial está produzindo um novo tipo de poder.

Não apenas o poder de criar tecnologia.

Mas o poder de controlar a infraestrutura que torna essa tecnologia possível.

Ao mesmo tempo, sua crescente proximidade com Washington reforça uma tendência importante: inteligência artificial deixou de ser apenas uma questão tecnológica e se tornou uma questão estratégica para governos.

Nesse novo cenário, influência política e infraestrutura computacional podem ser tão valiosas quanto os próprios modelos de IA.

E poucas pessoas parecem estar acumulando ambas as coisas tão rapidamente quanto Larry Ellison.

Se a última década pertenceu aos fundadores de startups de software, a próxima pode pertencer aos donos das estradas por onde a inteligência artificial trafega.

E Larry Ellison está construindo várias delas.