A Havanna Brasil, conhecida por seus deliciosos alfajores e cafés, está passando por um momento delicado. A empresa entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida que soma impressionantes R$ 127,7 milhões. Mas, ao contrário do que se poderia pensar, o problema não está nas vendas de doce de leite.
O enredo por trás das dívidas
O grande X da questão é que essa dívida está majoritariamente ligada a um outro braço de negócios do grupo controlador da Havanna no Brasil: o setor de perfumes e cosméticos, operando sob a marca Fragrance. Das seis empresas incluídas no processo de recuperação, quatro são do segmento de perfumaria (Aeger, Casma do Brasil, Delfos e Fly Shopping), enquanto apenas duas (Café Del Plata, que opera as lojas, e DGA Doces Del Plata, que administra as franquias) estão diretamente ligadas à Havanna.
Por que isso importa
Essa situação mostra como vínculos financeiros entre empresas de um mesmo grupo podem impactar a saúde de negócios aparentemente independentes. Mesmo com CNPJs diferentes, a interligação por meio de avals e garantias recíprocas fez com que a crise de um setor transbordasse para outro, colocando a Havanna, uma marca querida e com boa reputação, em uma situação de reestruturação. Para os consumidores, a boa notícia é que a Havanna garante que suas operações e planos de expansão continuam normalmente.
A origem do problema: perfumes antes dos alfajores
O negócio de perfumaria, representado pela Delfos, é mais antigo no Brasil, atuando desde 1996. A Havanna, por sua vez, só chegou por aqui em 2006. A Fragrance, que vende perfumes e cosméticos de marcas internacionais, tem mais de 90% de seus pontos de venda em shoppings. E foi justamente a queda do movimento nesses centros comerciais durante a pandemia, somada ao aumento dos custos financeiros (juros que subiram após contratações em 2020 e 2021), que apertou o cinto do grupo.
Ações e planos futuros
O plano de recuperação extrajudicial, que abrange as seis empresas controladas pelo empresário Marcos Rothenberg, ainda precisa da homologação judicial. Vale lembrar que o pedido veio à tona enquanto tramitava uma ação de falência contra a Café Del Plata, movida pela fabricante de chocolates Top Cau, que cobrava cerca de R$ 4,2 milhões em notas fiscais não pagas.
Havanna segue de pé
Apesar do turbilhão legal e financeiro, a Havanna afirma que suas operações estão normais e que os planos de expansão foram mantidos. A empresa diz ter inaugurado mais de 30 unidades no primeiro semestre de 2026 e ambiciona superar a marca de 700 pontos de venda no país até 2030. Ou seja, pode respirar aliviado: seus alfajores e cafés favoritos não correm risco de sumir das prateleiras tão cedo.