O apetite do capital de risco por empresas que combinam a solidez do setor financeiro com o poder transformador da inteligência artificial acaba de atingir um novo pico em Wall Street.
A fintech americana Ramp está em negociações avançadas para levantar uma megacodada de investimentos no valor de US$ 750 milhões. O novo aporte deve avaliar a companhia em mais de US$ 40 bilhões (pre-money), consolidando um salto espetacular em relação aos US$ 32 bilhões registrados em sua última rodada de captação. A operação está sendo liderada por grandes fundos globais que já compunham sua base de apoiadores, como o fundo soberano de Cingapura (GIC) e a ICONIQ Capital.
O movimento reflete a pressa dos investidores em posicionar capital em plataformas de software que conseguem provar eficiência real de custos e ganho de produtividade por meio de soluções de IA generativa.
Acelerada por agentes de IA e receita bilionária
O prêmio de avaliação concedido à Ramp é amparado por uma execução operacional agressiva e pela rápida expansão de seu portfólio de produtos.
A fintech expandiu seu escopo original — focado em cartões de crédito corporativos e controle de reembolsos — para se tornar um hub completo de operações financeiras. Recentemente, a companhia lançou uma frota de agentes de inteligência artificial capazes de analisar contratos de fornecedores, fazer a triagem automatizada de requisições de funcionários, auditar notas fiscais e transferir saldos ociosos para contas com maior rendimento de forma autônoma.
Essa virada tecnológica ajudou a empresa a romper a barreira histórica de US$ 1 bilhão em receita anualizada, dobrando de tamanho em um curto intervalo de tempo e atraindo uma carteira que já supera a marca de 50 mil clientes corporativos.
O novo fôlego do ecossistema fintech
A megasinalização da Ramp injeta otimismo em um mercado de venture capital que vinha se mostrando muito mais seletivo e punitivo com empresas de tecnologia financeira tradicionais.
A rodada bilionária isola a Ramp de concorrentes diretos no setor de gestão de despesas e a coloca no mesmo patamar de peso de gigantes consolidados do ecossistema de pagamentos B2B. Os novos recursos serão carimbados para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de automação profunda e para financiar a investida da startup sobre contas de clientes de grande porte (enterprises).
Com os cofres cheios e o selo de queridinha da IA aplicada às finanças, a Ramp demonstra que o mercado privado de capitais continua disposto a pagar múltiplos agressivos, desde que a inteligência artificial saia do campo das promessas e se transforme em geração de caixa robusta.