Durante anos, o caminho da compra era previsível.
O consumidor via um anúncio, pesquisava no Google, comparava opções e decidia o que comprar.
A Geração Z está reescrevendo esse processo.
Segundo um levantamento da YouGov, 41% dos jovens da Geração Z descobrem novos produtos por meio de influenciadores e criadores de conteúdo, praticamente o mesmo percentual dos que usam mecanismos de busca (42%). Pela primeira vez, os creators deixaram de ser apenas um canal de divulgação para disputar diretamente com o Google o papel de principal porta de entrada para novas marcas.
Isso muda não apenas o marketing.
Muda a forma como as empresas são descobertas.
A busca começa nas redes sociais
Para consumidores mais jovens, a jornada de compra deixou de começar com uma pesquisa.
Ela começa com um vídeo.
Uma rotina.
Uma recomendação espontânea.
Um "testei e gostei".
Enquanto, entre a população americana em geral, recomendações de amigos e familiares continuam sendo a principal forma de descobrir novos produtos, a Geração Z coloca os criadores de conteúdo praticamente no mesmo patamar dos mecanismos de busca. Eles também superam avaliações em sites e blogs tradicionais e ficam muito à frente da publicidade em TV e rádio.
Em outras palavras, antes de pesquisar uma marca, muitos consumidores já chegam com ela na cabeça porque a viram no feed.
Influência deixou de ser só alcance
O estudo mostra outro dado interessante.
Os jovens que descobrem produtos por meio de influenciadores demonstram maior intenção de compra para diversas marcas.
É o caso da CeraVe, cuja consideração de compra sobe de 37% para 43% nesse público. A e.l.f. Cosmetics também registra um salto semelhante, enquanto marcas como Prime Hydration e Dunkin' apresentam índices mais altos entre consumidores influenciados por creators.
Isso ajuda a explicar por que grandes empresas estão transferindo parcelas cada vez maiores de seus orçamentos de publicidade para campanhas com criadores de conteúdo.
O objetivo deixou de ser apenas gerar visualizações.
É influenciar o início da jornada de compra.
A disputa agora é pela descoberta
Durante muito tempo, empresas investiram pesado para aparecer quando o consumidor pesquisava um produto.
Agora, cresce a importância de estar presente antes mesmo da pesquisa acontecer.
É uma mudança importante.
Quem consegue gerar desejo primeiro passa a depender menos da disputa por palavras-chave ou anúncios patrocinados nos buscadores.
Em muitos casos, a busca deixa de ser "qual produto comprar?" e passa a ser "onde comprar aquele produto que eu vi no TikTok, Instagram ou YouTube?".
Isso também muda o papel das marcas
Esse comportamento exige uma estratégia diferente.
Em vez de produzir apenas campanhas publicitárias, empresas precisam criar conteúdo que as pessoas realmente queiram assistir, compartilhar e comentar.
Os criadores deixam de ser apenas veículos de mídia.
Passam a funcionar como canais de descoberta, construção de confiança e validação social.
Para marcas que vendem para públicos mais jovens, isso significa que investir apenas em anúncios tradicionais pode não ser suficiente.
Por que isso importa
A pesquisa mostra que a disputa pela atenção está mudando de endereço.
Se antes o Google era o principal ponto de partida para descobrir produtos, agora os criadores de conteúdo dividem esse espaço com força crescente entre os consumidores mais jovens.
Para empresas, a mensagem é clara.
A batalha deixou de ser apenas por aparecer no topo das buscas.
Ela começa muito antes: no vídeo que inspira, na recomendação que gera confiança e no creator que faz alguém pensar, pela primeira vez, "eu preciso experimentar isso".
