O Brasil vive um paradoxo energético que pode frear o avanço dos data centers, especialmente os de hyperscale focados em Inteligência Artificial. De um lado, temos um excesso de geração de energia, principalmente eólica e solar no Nordeste. Do outro, a infraestrutura de transmissão não acompanha o ritmo, criando um gargalo que impede que essa energia chegue onde os data centers mais querem estar: o Sudeste.

A Corrida dos Data Centers e o Redata

A aprovação do Redata no Congresso animou diversas empresas de data centers a acelerar seus projetos no país. Esse incentivo fiscal visa atrair investimentos para o setor, que é visto como uma solução para o escoamento da energia renovável excedente. No entanto, a euforia inicial já levanta uma questão crucial entre investidores e especialistas: haverá espaço na rede elétrica para todos esses projetos?

Por Que Isso Importa

Isso importa porque a expansão dos data centers é vital para a infraestrutura digital do país, impulsionando a economia e a inovação tecnológica. Se o Brasil não conseguir resolver o problema da transmissão, corre o risco de perder investimentos importantes e limitar seu potencial de crescimento no setor de tecnologia, afetando desde a IA até a computação em nuvem.

Onde o Bicho Pega: Transmissão

Enquanto a energia renovável está concentrada no Nordeste, a preferência natural dos data centers é se instalar perto dos grandes centros urbanos, como o corredor entre São Paulo e Campinas. Essa proximidade com as metrópoles é fundamental para a latência e a conectividade. O desafio, portanto, é levar a energia do Nordeste para o Sudeste de forma eficiente. Serafim Abreu Junior, CEO da NextStream Data Centers, enfatiza que, embora haja um excesso de energia, o verdadeiro gargalo está na transmissão.

Rede Esgotada no Sudeste

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável por analisar e aprovar a conexão de data centers à rede, já alertou sobre a complexidade do cenário. Em São Paulo, por exemplo, a rede está “esgotada” devido a anos sem expansão das instalações de transmissão. Mesmo em estados nordestinos como Piauí e Ceará, que oferecem incentivos fiscais, existem limitações técnicas. Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, destaca que encontrar espaço na rede para cargas tão grandes não é trivial.

Prazos e Riscos

Os benefícios fiscais do Redata têm um prazo de cinco anos. Enquanto uma nova usina geradora pode ser construída mais rapidamente, o ciclo completo de uma nova linha de transmissão leva de cinco a sete anos. Ou seja, a capacidade de transmissão é praticamente inelástica no curto prazo. Uma expansão mal planejada pode trazer riscos significativos, como