A Braskem, gigante do setor petroquímico, deu um passo drástico para tentar colocar suas finanças em ordem: a empresa anunciou que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial. A medida vem depois de meses de conversas com credores que não chegaram a um consenso sobre como reestruturar uma montanha de dívidas que soma impressionantes US$ 10,9 bilhões.
Por que isso importa?
Esse movimento da Braskem não é apenas uma notícia corporativa; ele reflete a pressão financeira que grandes empresas podem enfrentar e as complexidades de renegociar dívidas bilionárias. Para o mercado, mostra a fragilidade de setores sensíveis a preços de commodities e a importância de uma gestão financeira robusta. Além disso, a Braskem é uma empresa de peso no cenário industrial brasileiro, e sua situação afeta desde investidores até a cadeia de suprimentos.
O que rolou com a Braskem?
A companhia protocolou o pedido no mesmo dia em que expirava uma proteção judicial anterior contra credores, que havia sido obtida em junho. Essa proteção temporária visava dar um fôlego à empresa enquanto ela tentava costurar um acordo. No entanto, as negociações com um grupo de bondholders (detentores de títulos da dívida) não foram pra frente, com a proposta da Braskem sendo considerada "inteiramente insatisfatória" pelos credores.
A proposta da Braskem e a reação dos credores
A Braskem propôs alongar os vencimentos das dívidas em cinco anos, reduzir os juros em 2 pontos percentuais e ter a opção de pagar 100% dos juros via PIK (Payment-in-Kind) — ou seja, capitalizar os juros em vez de pagá-los em dinheiro — entre julho de 2026 e dezembro de 2028. Os credores, no entanto, rechaçaram a ideia, classificando-a como "inaudita" e questionando a seriedade das negociações.
A situação financeira da empresa
A situação da Braskem é bem delicada. Projeções internas mostram um fluxo de caixa negativo de US$ 821 milhões até o final de 2026, o que significa que a empresa não teria dinheiro suficiente para cobrir suas despesas operacionais e financeiras. A alavancagem financeira (relação entre dívida e capacidade de geração de caixa) ainda é muito alta, e as ações da companhia já acumulam uma queda de 34,6% no ano, refletindo a desconfiança do mercado.
Próximos passos e o que esperar
A recuperação extrajudicial, que tem um escopo limitado às obrigações financeiras e não afeta fornecedores e clientes, busca criar um ambiente mais seguro para a reestruturação. Esse movimento já era esperado por parte do mercado, especialmente após a Braskem Idesa, uma joint venture da companhia no México, ter entrado com um pedido semelhante nos EUA. A IG4, que assumiu parte do controle da Braskem em junho junto com a Petrobras, terá um grande desafio pela frente para reorganizar a dívida e, provavelmente, isso resultará em uma diluição significativa para os acionistas minoritários.