A diretoria da Uber começou o ano de 2026 dando aquele tapinha nas costas dos funcionários e incentivando todo mundo a usar inteligência artificial "o máximo possível" para programar. O pessoal levou a ordem tão a sério que o CTO da empresa, Praveen Neppalli Naga, teve que vir a público admitir o impensável: em abril, a empresa já tinha torrado todo o orçamento de IA previsto para os 12 meses do ano. Para estancar a sangria de dólares que iam direto para os bolsos da Anthropic e do Cursor, a Uber implementou um "Raimundo" digital: um painel interno para vigiar os gastos e um teto rígido de mil e quinhentos dólares por ferramenta. Passou disso, o engenheiro tem que pedir autorização com jeitinho para a chefia, igualzinho a adolescente que estoura a franquia de dados do celular do pai.

Por que isso importa: O caso da Uber joga um holofote gigante no calcanhar de Aquiles do atual momento da tecnologia: o custo invisível e astronômico da computação por tokens. Agentes de IA que escrevem códigos sozinhos parecem mágicos, mas operam em loops que devoram recursos financeiros em velocidade recorde. Pior do que a conta alta é a crise de identidade existencial que se instalou na diretoria; o próprio COO da Uber, Andrew Macdonald, já mandou a real em um podcast dizendo que está muito difícil provar uma relação direta entre essa dinheirama gasta em IA e o lançamento de recursos reais que deem lucro.

Para deixar a situação ainda mais constrangedora, dados de mercado de consultorias de software apontam que códigos gerados por IA costumam gerar quase o dobro de bugs em comparação com os escritos por humanos, fazendo com que quase metade do orçamento de tokens seja gasto apenas pelo robô tentando consertar os próprios erros. Ou seja: a Uber pagou uma fortuna para uma IA programar rápido, e agora vai ter que pagar outra fortuna para humanos revisarem o código e limparem a sujeira. É o equivalente tecnológico a contratar um estagiário ultraveloz que digita 300 palavras por minuto, mas todas em idioma inventado.

No final das contas, a Uber descobriu que a inteligência artificial é maravilhosa para acelerar processos, mas que, na hora de fechar o balanço, quem está correndo o risco de ficar sem saldo para completar a viagem é a própria empresa.