A onda de reestruturações no setor de tecnologia fez mais uma vítima de peso global.

A Uber anunciou a abertura de um processo de demissão em massa que afetará centenas de colaboradores em seus escritórios ao redor do mundo. Desta vez, a tesoura da companhia mirou especificamente os departamentos de Recursos Humanos (RH), recrutamento e as equipes dedicadas à cultura corporativa e diversidade, áreas que haviam inflado durante os anos de expansão acelerada pós-pandemia.

A liderança da empresa justificou os cortes como uma medida necessária para alinhar a estrutura de gastos administrativos às novas prioridades estratégicas de crescimento de longo prazo.

A transição para a automação e IA

Os cortes nos setores de gestão de pessoas revelam uma mudança profunda na forma como as big techs planejam suas estruturas internas.

Com o mercado de contratações mais frio em comparação ao topo histórico de anos anteriores, a necessidade de grandes equipes de recrutadores diminuiu drasticamente. Além disso, a Uber vem integrando ferramentas de inteligência artificial generativa para automatizar processos de triagem de currículos, atendimento interno a funcionários e rotinas burocráticas de departamento pessoal, reduzindo a dependência de mão de obra humana nessas funções.

A companhia informou que os funcionários afetados receberão pacotes de indenização estendidos, suporte para recolocação profissional e extensão temporária de benefícios médicos, dependendo da legislação de cada país.

O foco de Wall Street na eficiência

O movimento da Uber foi recebido com otimismo pelos analistas financeiros de Wall Street, que continuam cobrando disciplina fiscal rígida das empresas de tecnologia.

Ao cortar custos fixos em áreas que não geram receita direta, a plataforma preserva suas margens de lucro e libera fluxo de caixa para investir em divisões de alta tecnologia, como o desenvolvimento e a expansão de frotas de veículos autônomos (robotaxis) e logística de entrega rápida.

As demissões em massa na Uber deixam claro que a era dos RHs robustos e dos investimentos massivos em mimos e cultura corporativa no Vale do Silício deu lugar à busca obsessiva por eficiência máxima por funcionário.