Uma startup israelense avaliada em US$ 5 bilhões está de olho no Brasil e planeja um investimento robusto. A Wonderful, que desenvolve agentes de inteligência artificial para automatizar processos complexos em grandes corporações, anunciou que vai aportar US$ 20 milhões no país até 2027. O objetivo? Fazer do Brasil seu principal mercado global, com uma meta ambiciosa de US$ 1 bilhão em receita em apenas dois anos.
Por que isso importa
Este investimento significa que o Brasil está se consolidando como um polo estratégico para a inovação tecnológica e a inteligência artificial. A chegada de uma startup com tal valuation e tecnologia de ponta pode impulsionar a digitalização de grandes empresas brasileiras, otimizar processos e, claro, gerar oportunidades de emprego para profissionais de tecnologia no país. É um sinal claro do potencial que o mercado brasileiro representa para o setor de IA.
A aposta da Wonderful no Brasil
A Wonderful, fundada em 2025 por Bar Winkler (CEO) e Roey Lalazar (CTO), foca em solucionar "gargalos" operacionais que outras empresas de tecnologia não conseguiram resolver. Um exemplo citado é o do cliente brasileiro que recebia mais de 70 mil pedidos mensais para mudança de endereço de operadoras, um processo demorado e ineficiente. Com a implementação dos agentes de IA da Wonderful, a solução foi colocada em produção em apenas sete semanas.
O executivo à frente da expansão no Brasil, Rui Duarte Brandão, ex-fundador do Zenklub, é o responsável por essa empreitada. Ele acredita que o tamanho do Brasil e seu potencial de escala são diferenciais. "Você tem Estados Unidos, Índia e Brasil", comenta Brandão, listando os poucos países onde uma única empresa de telecomunicações pode ter 100 milhões de clientes. Para ele, a China é um mercado difícil de operar, os EUA são muito competitivos e a Índia, com sua diversidade, é complexa. Por isso, a aposta no Brasil é tão forte.
Estratégia de crescimento e clientes
A Wonderful já captou mais de US$ 800 milhões em investimentos e atende cerca de 200 clientes em 40 mercados. No Brasil, nos últimos seis meses, a startup conquistou seis clientes e tem 30 projetos em andamento. Na América Latina, são cerca de 20 clientes, incluindo o Mercado Livre no México e grandes bancos na Colômbia. Os contratos são negociados em dólar, o que é um ponto importante para a sustentabilidade do negócio.
Para ganhar tração, a Wonderful está construindo sua estrutura local e planeja contratar centenas de engenheiros e especialistas técnicos. A empresa inverte a lógica tradicional de contratação de software corporativo: o cliente só paga depois que o projeto está em produção e o valor é comprovado. Além disso, a política de "no lock-in" garante que todo o código e propriedade intelectual desenvolvidos para o cliente pertencem a ele, oferecendo flexibilidade e segurança.
IA para resolver dores reais
As principais dores que a Wonderful busca resolver no Brasil estão em processos de back office pesados, típicos de grandes companhias com muitos sistemas e "legados" complexos. Exemplos incluem o registro de sinistros de seguro de automóvel e o processo de KYC (Know Your Customer) para clientes corporativos em bancos. Os clientes no país atuam em setores como telecomunicações, aviação, bancos, seguros e energia.
Quando questionado sobre a concorrência, Brandão destaca a velocidade como o maior diferencial da Wonderful. Os times chegam aos clientes com conhecimento prévio dos setores e processos, o que elimina longas etapas de diagnóstico. A plataforma, segundo ele, permite que tudo seja construído "agora", sem depender de implantações que levariam meses. A empresa busca ser a "camada de IA do cliente", evitando a "desgovernança" de ferramentas isoladas. A expectativa é que a IA organize informações de diversos sistemas, permitindo que as pessoas tomem decisões em minutos, devolvendo a grandes empresas a agilidade que tinham quando eram menores.