O Brasil enfrenta um desafio gigantesco: universalizar o saneamento básico até 2033. Isso significa que 99% da população deve ter acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto. Mas, como sempre, o buraco é mais embaixo – e bem mais caro. Um estudo recente do Itaú BBA em parceria com a consultoria Inter.B revelou que a conta para essa missão ambiciosa chega a R$ 1,2 trilhão.

O tamanho do desafio financeiro

Para atingir as metas do Marco Legal do Saneamento, seriam necessários R$ 95,2 bilhões por ano em investimentos. Parece muito? É mais que o dobro da média anual de R$ 40,3 bilhões que o setor tem conseguido mobilizar. Essa lacuna financeira mostra a dimensão da tarefa à frente e a urgência de encontrar novas fontes de capital.

Um cenário de juros altos e novos players

O ambiente atual, com juros elevados, impacta diretamente a capacidade de investimento das empresas, que já estão com balanços comprometidos por projetos anteriores. No entanto, o setor de saneamento, com sua demanda constante e contratos de longo prazo, continua sendo um ímã para investidores. Players financeiros como Patria e Perfin, e grupos estrangeiros como a espanhola Acciona, já estão de olho, mas é preciso expandir essa base de interessados.

Por que isso importa: A universalização do saneamento não é só uma questão de infraestrutura, mas um pilar fundamental para a saúde pública e o desenvolvimento econômico. Impacta diretamente a qualidade de vida, a produtividade e a educação, gerando um retorno social altíssimo para o país.

Leilões e a busca por competitividade

Apesar do interesse crescente, a competição nos leilões tem sido tímida. Em 2026, apenas dois foram realizados, ambos com um único concorrente. Blocos inteiros ficaram sem interessados. Especialistas apontam que o problema não é a falta de capital, mas sim a estruturação dos projetos. Não existe uma solução única; é preciso adaptar a modelagem (privatização, concessão, PPP) às particularidades de cada região, considerando renda, cobertura e inadimplência.

Diversificação das fontes de financiamento

Para bancar essa conta bilionária, não dá para depender de uma única fonte. É crucial combinar recursos do mercado de capitais, bancos comerciais e instituições de fomento. As debêntures de infraestrutura, por exemplo, já ganharam destaque, com R$ 67 bilhões em emissões desde 2020. Bancos comerciais também estão ampliando sua atuação, oferecendo linhas de financiamento de longo prazo.

A meta de 2033 é realista?

Mesmo com o avanço e a aceleração dos investimentos desde o Marco Legal, muitos especialistas, como Claudio Frischtak da Inter.B, são céticos quanto à universalização até 2033. Para ele, atingir o objetivo até **2043 já seria um