A Anthropic, uma das maiores empresas de inteligência artificial do mundo, acaba de divulgar números que deixaram o mercado de queixo caído. A companhia, que é uma das principais concorrentes da OpenAI, reportou um faturamento de US$ 11,5 bilhões no segundo trimestre deste ano. Isso representa um salto impressionante de 14 vezes em comparação com o mesmo período do ano passado, e mais que o dobro do que foi registrado no primeiro trimestre de 2026.
Essa performance meteórica não só reforça o boom da infraestrutura de IA, mas também coloca a Anthropic em um patamar de crescimento raramente visto, mesmo em empresas de tecnologia. Para se ter uma ideia, em reais, estamos falando de mais de R$ 60 bilhões faturados em apenas três meses por uma empresa com pouco mais de cinco anos de existência. É um ritmo que poucas companhias conseguem sustentar por tanto tempo.
Lucro no horizonte
Além do crescimento explosivo na receita, a Anthropic alcançou um marco importante: pela primeira vez em sua história, registrou um lucro operacional ajustado positivo. Isso significa que, descontando algumas despesas, a empresa conseguiu ser lucrativa em suas operações. Embora não seja o lucro líquido (que considera impostos, juros e outros itens), é um sinal de que a companhia está no caminho certo para a sustentabilidade financeira.
Por que isso importa: A chegada do lucro operacional é um divisor de águas para a Anthropic. Empresas de tecnologia em rápido crescimento muitas vezes operam com prejuízo por anos, priorizando a expansão. Atingir a lucratividade, mesmo que operacional, mostra maturidade e eficiência, o que é crucial para atrair investidores em um possível IPO (Oferta Pública Inicial).
O desafio do valuation de US$ 2 trilhões
Os números impressionantes da Anthropic vêm à tona semanas antes do que pode ser um dos maiores IPOs da história dos EUA. A empresa está buscando um valuation de US$ 2 trilhões, um valor estratosférico que já gera debates acalorados entre bancos e investidores. A grande questão é: como justificar um valor tão alto?
A resposta está nas projeções futuras. A Anthropic está prevendo uma receita entre US$ 190 bilhões e US$ 200 bilhões para 2028. É essa expectativa, e não o resultado atual do trimestre, que os analistas estão usando para calcular o valuation, aplicando múltiplos de receita sobre um número que ainda não existe. Essa prática não é inédita, mas sempre levanta questionamentos sobre a aposta no futuro versus a realidade presente.
Comparando com os gigantes
Para colocar o valuation da Anthropic em perspectiva, o mercado usa como comparáveis empresas como Palantir, negociada a 53 vezes a receita esperada para este ano, e SpaceX e Cloudflare, ambas em torno de 41,6 vezes a receita prevista para 2026. Para alcançar um valuation de US$ 2 trilhões com os múltiplos médios do Nasdaq 100 (cerca de 34 vezes o lucro), a Anthropic precisaria de um lucro líquido anual entre US$ 59 bilhões e US$ 79 bilhões.
Para efeito de comparação, a Amazon, que vale US$ 2,86 trilhões, gerou US$ 62,6 bilhões de lucro líquido apenas no segundo trimestre de 2026. A distância entre o lucro operacional ajustado (o que a Anthropic reportou) e o lucro líquido (o que sobra no caixa) é significativa. A Anthropic ainda investe pesado em capacidade de processamento, treinamento de modelos e contratação, o que impacta seu lucro real.
O que vem pela frente
O crescimento da Anthropic é inegável e impressionante. No entanto, o desafio é convencer o mercado de que o valuation de US$ 2 trilhões é justificado. Os bancos que estruturam a oferta, como Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan, terão a tarefa de mostrar aos investidores que a aposta em um resultado de 2028 é um risco aceitável, e que as margens da empresa se comportarão conforme o esperado. O CFO Krishna Rao segue em reuniões com investidores, mas a conversa sobre valuation explícito ainda é evitada, mostrando que a prova de fogo está por vir.