A megafusão que promete redesenhar o mapa global do entretenimento avançou para o seu capítulo mais burocrático e desafiador.
A Paramount Skydance protocolou formalmente junto à Comissão Europeia o pedido de aprovação para a compra da Warner Bros. Discovery, uma transação monumental avaliada em US$ 110 bilhões. O negócio, que já recebeu o sinal verde dos acionistas, colocará a família Ellison, controladora da Paramount e ligada ao fundador da Oracle, Larry Ellison — no comando de um império sem precedentes.
A grande barreira agora é convencer os reguladores europeus de que a fusão de marcas icônicas como HBO, CNN, CBS, Harry Potter e Missão: Impossível não vai sufocar a concorrência no mercado global de streaming e mídia.
O leilão que deixou a Netflix para trás
A chegada a esta etapa regulatória foi fruto de uma batalha agressiva de propostas que durou meses nos bastidores de Hollywood.
Inicialmente, a Warner estava inclinada a fechar um acordo de fusão com a Netflix. Para virar o jogo, a Paramount Skydance revisou seus termos financeiros sucessivas vezes até alcançar os US$ 110 bilhões (valor que já inclui a absorção das dívidas da Warner).
Para liquidar a disputa, os compradores ofereceram garantias pessoais robustas de Larry Ellison e assumiram o compromisso de pagar uma multa de US$ 2,8 bilhões à Netflix pela rescisão contratual da Warner, além de injetar US$ 7 bilhões caso o negócio acabe barrado por autoridades antitruste. Diante dos números, a Netflix optou por retirar sua oferta.
A lupa antitruste e o fantasma dos subsídios
O órgão regulador da União Europeia fixou o início de julho como prazo para uma triagem inicial da operação. A análise vai muito além de medir a audiência combinada de plataformas de streaming.
Os técnicos de Bruxelas pretendem examinar o negócio sob o Regulamento de Subsídios Estrangeiros. Esse instrumento jurídico serve para monitorar se companhias que recebem apoio financeiro ou garantias massivas externas conseguem vantagens desleais que possam distorcer o livre mercado dentro do bloco europeu.
Para destravar o aval europeu, o mercado financeiro projeta que a Paramount e a Warner tenham que aceitar remédios amargos, o que pode incluir a venda forçada de alguns canais de TV paga ou unidades de negócios locais para reduzir a concentração de poder de mercado. A consolidação do novo titã dos canais e das telas agora depende da diplomacia corporativa em território europeu.