A Omni, uma startup brasileira que oferece seguro de medicamentos, acaba de fechar uma nova rodada de investimento. O objetivo é ambicioso: dobrar sua base de vidas atendidas até o final do próximo ano e alcançar uma receita de R$ 50 milhões. Essa captação, liderada pela ACNext e com a participação de fundos como GreenRock e Enseada, reforça a confiança no modelo de negócio que já atende grandes nomes como Azul, Light e MetLife.

A Trajetória e a Visão do Fundador

Fernando Domingues, fundador e CEO da Omni, não é novato no ecossistema de saúde digital. Ele foi um dos criadores da Conexa Saúde, uma das maiores plataformas de telemedicina do país. Sua experiência anterior lhe deu uma visão clara dos gaps do mercado brasileiro em comparação com os Estados Unidos. Domingues explica que tanto a Conexa quanto a Omni nasceram da observação de que o Brasil, eventualmente, seguiria as tendências americanas na saúde.

Por Que Isso Importa

O mercado de seguro de medicamentos nos EUA, conhecido como PBMs (Pharmacy Benefit Managers), movimenta trilhões de dólares, enquanto no Brasil é ainda incipiente. Essa diferença se explica pela obrigatoriedade da cobertura de medicamentos nos planos de saúde americanos, algo que não acontece por aqui. A Omni busca preencher essa lacuna, oferecendo um serviço que, ao facilitar o acesso a remédios, pode prevenir o agravamento de doenças, reduzir afastamentos do trabalho e internações, gerando economia para empregadores e operadoras de saúde.

Como Funciona o Modelo da Omni

No modelo da Omni, empresas e operadoras de saúde pagam um valor mensal por funcionário ou beneficiário, que então tem um limite de gastos com medicamentos. Os benefícios variam, cobrindo desde genéricos até qualquer remédio disponível em farmácias. O processo é simples: o funcionário envia a receita pelo aplicativo, recebe autorização para pagar via Pix da Omni e, depois, envia o cupom fiscal para verificação por ferramentas de IA. A receita da Omni não vem da venda de medicamentos, mas da gestão de risco e prevenção de fraudes.

Metas Ambiciosas e o Cenário Competitivo

Atualmente, a Omni tem mais de 70 clientes e atende 350 mil vidas. A meta é dobrar essa base em um ano e alcançar R$ 50 milhões de receita até o final de 2027, atingindo o breakeven pela primeira vez. No Brasil, a Omni compete com empresas como Funcional, VidaLink e Epharma, que já atuam no setor há mais tempo. Contudo, Domingues acredita que, ao provar a eficácia de seu modelo na redução de sinistros e fraudes, a Omni pode influenciar futuras discussões sobre a obrigatoriedade da cobertura de medicamentos pela ANS.