A história de Elizabeth Holmes, a fundadora da Theranos que chocou o Vale do Silício com sua fraude bilionária, continua a fascinar o público. Prova disso é o lançamento de “You Can See Everything”, um pseudodocumentário que, mal chegou aos cinemas americanos, já está quebrando recordes de aprovação e bilheteria, reacendendo o interesse em um dos maiores escândalos corporativos da última década.

Dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim, o filme mergulha nos dias que antecedem a prisão de Holmes, condenada a 11 anos por fraude federal. A produção se destaca não só pela abordagem, mas pela recepção estelar da crítica, alcançando feitos raros no competitivo mundo cinematográfico.

Por que isso importa

O sucesso estrondoso de “You Can See Everything” mostra que a narrativa sobre a ascensão e queda de Elizabeth Holmes não só mantém o público engajado, mas também ressalta a importância de histórias de ética e integridade no universo dos negócios. Para investidores, empreendedores e o público em geral, é um lembrete contundente das consequências da ambição desmedida e da falta de transparência. Além disso, o filme pode abrir portas para que documentários sejam cada vez mais reconhecidos em premiações importantes como o Oscar de Melhor Filme.

A aclamação da crítica

O documentário estreou com uma impressionante aprovação de 100% no Rotten Tomatoes, um feito quase inédito para um lançamento inicial com mais de 80 críticas. Embora tenha tido uma leve queda para 98% com mais de 100 avaliações, ainda é considerado o filme mais bem avaliado do ano na plataforma. Para ter uma ideia, produções populares como “Homem-Aranha: Um Novo Dia” e “Devoradores de Estrela” ficaram com 97% e 95% de aprovação, respectivamente.

No Metacritic, que compila notas individuais para uma pontuação final, a situação não é diferente. “You Can See Everything” atingiu 98/100, um feito que não se via há uma década, superando até mesmo vencedores do Oscar de Melhor Filme. Já no Letterboxd, uma plataforma de avaliação de fãs, o filme se tornou o quarto mais bem avaliado da história, com 4.7/5 estrelas.

Sucesso de bilheteria inesperado

As expectativas iniciais para a bilheteria eram modestas, estimando entre US$ 7 e 8 milhões no fim de semana de estreia. No entanto, o boca a boca funcionou como mágica. Apesar de ter sido exibido em menos de mil cinemas nos EUA, o documentário surpreendeu e arrecadou cerca de US$ 15 milhões, quase o dobro do previsto. Essa performance coloca “You Can See Everything” como a segunda maior estreia de um documentário na história das bilheterias americanas, atrás apenas de “Fahrenheit 9/11” (2004), de Michael Moore.

O "Hype" de Elizabeth Holmes

O frenesi em torno do novo documentário não só gerou lucro para os cinemas, mas também impulsionou o interesse em outras produções sobre Elizabeth Holmes. A minissérie “The Dropout”, da Hulu, que tem Amanda Seyfried no papel principal e rendeu um Emmy à atriz, registrou um aumento de mais de 220% nos minutos assistidos após o anúncio da campanha de “You Can See Everything”. Além disso, o livro “Bad Blood: Secrets and Lies in a Silicon Valley Startup”, de John Carreyrou, jornalista que expôs a fraude da Theranos, viu suas vendas aumentarem 36% no último ano.

Rumo ao Oscar?

Com tamanha aclamação e sucesso, a possibilidade de “You Can See Everything” ser indicado ao Oscar de Melhor Filme é bastante real. Seria um marco histórico, pois nenhum documentário jamais concorreu nesta categoria. As regras da Academia permitem que documentários sejam indicados se cumprirem os critérios de distribuição, e com a pontuação que o filme atingiu, ele se posiciona como um forte candidato não só para Melhor Documentário, mas também para a principal categoria da premiação.