A fintech brasileira Kesh acaba de levantar R$ 550 milhões em uma rodada de investimento liderada pelo Grupo Leste, com participação da BR Angels e sócios da Across Capital. O objetivo? Escalar sua proposta de "cashback de juros" em um mercado brasileiro onde a inadimplência está nas alturas.
Por que isso importa
Em um cenário de endividamento recorde e aperto regulatório para as fintechs, a Kesh surge com uma abordagem que pode ser um respiro para muitos trabalhadores. A ideia de devolver os juros em forma de benefícios não só alivia o bolso, mas também estimula a economia ao direcionar esses créditos para o consumo em uma rede de parceiros. É uma tacada inteligente para atrair e fidelizar usuários, além de oferecer uma alternativa de crédito a quem já esgotou outras opções.
O modelo Kesh: Juros que Voltam pra Você
Desde abril de 2025, a Kesh opera com um modelo B2B2C, focando na gestão de folha salarial e na concessão de crédito de curto prazo. O grande diferencial é o tal do "cashback de juros". Funciona assim: o funcionário pega um empréstimo, paga os juros, mas recebe esse valor de volta em forma de créditos para usar em uma rede de mais de 150 parceiros, que inclui nomes como Bob's, Vivo, Uber, Deezer e Netshoes.
"A gente identificou que não era possível reduzir significativamente o custo do dinheiro. Então pensamos: e se compensássemos 100% dos juros?", explica Marcelo Ramos, CEO da Kesh. Essa sacada transforma o que seria um custo em poder de compra, uma solução criativa para um problema antigo.
Foco no Trabalhador de Baixa Renda
A Kesh mira principalmente nos trabalhadores com renda mais baixa, aqueles que muitas vezes já estão no limite do crédito consignado e precisam de um empurrão para emergências. Cerca de 80% dos clientes da fintech recebem até cinco salários mínimos, e uma parte significativa usa o serviço mensalmente. O tíquete médio dos empréstimos gira em torno de R$ 650, o que mostra o foco em necessidades pontuais e urgentes.
Credibilidade e Crescimento
Mais do que o dinheiro, essa rodada de investimento traz um "carimbo institucional" para a Kesh. Com nomes de peso do mercado no cap table, a fintech ganha a credibilidade necessária para escalar. "Nosso maior desafio hoje é a credibilidade", afirma Ramos. "O mercado vive um momento complicado para as fintechs, então precisávamos mostrar que temos lastro financeiro e uma operação sólida para crescer, depois de provar que a nossa tese para de pé."
Emmanuel Hermann, CEO do Grupo Leste e investidor desde o início, destaca o alinhamento entre rentabilidade e benefício ao trabalhador como o grande atrativo do modelo. A Kesh já concedeu mais de R$ 30 milhões em crédito, com uma inadimplência controlada, graças à vinculação dos empréstimos à conta de recebimento do salário.
Próximos Passos: Escalar e Digitalizar
Os recursos captados serão usados para ampliar a presença da Kesh no mercado, acelerar a distribuição do produto e fortalecer seu sistema de processamento de folha de pagamento. A ideia é oferecer uma solução completa que digitaliza a gestão financeira das empresas, agregando ainda mais valor à sua proposta. A meta é ambiciosa: 1 milhão de usuários em três anos. Parece que a Kesh está pronta para mostrar que existe, sim, uma alternativa para atender o trabalhador brasileiro de forma justa e inovadora.