Sabe aquele meme do "rir para não chorar"? Guarde-o para o final desta leitura. O IBGE divulgou nesta manhã o IPCA-15 de maio, a nossa querida (ou nem tanto) prévia da inflação oficial. O índice subiu 0,62% no mês.

Se você achou o número baixo porque em abril a coisa foi pior (0,89%), os economistas da Faria Lima estão aqui para estragar o seu otimismo. O mercado esperava uma alta de 0,57%. O resultado veio acima do teto das estimativas e o acumulado em 12 meses bateu 4,64%, rompendo alegremente o limite máximo da meta de inflação do Banco Central, que é de 4,5%.

Para piorar a nostalgia, esse é o maior avanço para um mês de maio desde 2016 — uma época em que o Brasil discutia o impeachment da Dilma, ouvia "Hear Me Now" do Alok e achava que as coisas não podiam ficar mais confusas. Pois é.

Por que isso importa: Inflação furando o teto significa que o Banco Central ganha uma desculpa de ouro para manter a taxa Selic nas alturas. Se você estava planejando financiar um imóvel, pegar um empréstimo ou simplesmente esperando os juros caírem para ver a economia girar mais rápido, pode puxar a cadeira. É o clássico efeito dominó: o tomate sobe no mercado, o BC aperta os cintos e o seu bolso paga o pato na hora do crédito.

O quadro geral: A inflação virou aquela visita inconveniente que avisa que está indo embora (desacelerou no mês), mas resolve dar mais uma conferida na geladeira antes de sair. Com as commodities pressionadas e a meta contínua do CMN cobrando eficiência mês a mês, a equipe econômica vai ter que suar mais que o elenco do De Férias com o Ex para trazer esse número de volta para a linha.

Se serve de consolo, pelo menos as passagens aéreas deram uma trégua no último mês. O problema é ter dinheiro para viajar depois de pagar a conta do supermercado.