Elon Musk, o visionário por trás da Tesla, está redefinindo a narrativa da empresa. Embora a montadora ainda gere a maior parte de sua receita com a venda de veículos, Musk insiste que a Tesla é, na verdade, uma empresa de IA e robótica. Essa mudança de foco não é apenas retórica; uma análise aprofundada das chamadas de resultados da Tesla nos últimos sete anos revela um desvio significativo na atenção do CEO para projetos como o robô Optimus e os robotáxis autônomos.

A Ascensão da IA na Retórica de Musk

Dados compilados pela TechCrunch em parceria com a Hudson Labs, uma firma de pesquisa financeira, mostram que Musk dedica quase 50% de seu tempo nas chamadas de resultados para discutir inteligência artificial, software Full Self-Driving e robotáxis. Esse percentual representa um salto expressivo em relação a 2022, quando esses tópicos ocupavam apenas 15% a 20% de suas falas. Essa mudança coincide com a estagnação do crescimento do negócio automotivo principal da Tesla.

Musk tem sido um defensor vocal da ideia de que a autonomia justifica a alta avaliação de mercado da Tesla. Em uma chamada de resultados do primeiro trimestre de 2024, ele afirmou que "se alguém não acredita que a Tesla resolverá a autonomia, não deveria ser um investidor na empresa". Essa declaração sublinha a importância estratégica que ele atribui à IA e à robótica para o futuro da companhia.

O Robô Optimus Ganha Destaque

O interesse de Musk em robótica também tem crescido exponencialmente. Desde a revelação do robô humanoide Optimus em 2021, o tempo dedicado a este projeto nas chamadas de resultados aumentou consideravelmente. De apenas 2% em 2022, a discussão sobre o Optimus saltou para mais de 10% no último ano, chegando a quase um terço de sua atenção na chamada do terceiro trimestre de 2025. Isso demonstra uma aposta cada vez maior no potencial da robótica humanoide.

Paralelamente a esse aumento, o tempo dedicado aos negócios automotivos tradicionais e à fabricação caiu drasticamente. Musk agora gasta menos de um terço de seu tempo nessas discussões, chegando a menos de 20% na chamada do terceiro trimestre do ano passado. Essa priorização dos projetos de IA e robótica reflete uma visão de longo prazo, onde esses segmentos são vistos como os verdadeiros motores de crescimento e valor da Tesla.

Outros Executivos em Ritmo Mais Lento

Enquanto Musk mergulha de cabeça na IA e robótica, outros executivos da Tesla, como o CFO Vaibhav Taneja e o vice-presidente de engenharia Lars Moravy, mostram uma transição mais gradual. Embora também tenham começado a direcionar mais atenção para esses temas, eles ainda dedicam cerca de 30% de seu tempo ao negócio automotivo. Essa diferença pode ser atribuída ao fato de que os esforços em IA e robótica ainda não geram retornos financeiros significativos, mantendo o foco nas operações que sustentam a empresa atualmente.

Antes de 2024, esses executivos chegavam a gastar 50% ou mais de seu tempo discutindo a fabricação e venda de carros. A mudança de foco se intensificou à medida que o setor automotivo da Tesla enfrentou maior concorrência, tanto de fabricantes tradicionais quanto de novos players chineses. No entanto, quando se juntam a Musk para falar sobre o futuro, eles ecoam a retórica ambiciosa de seu líder, como exemplificado pela fala de Taneja na chamada do segundo trimestre deste ano: "O caminho para a abundância surpreendente é sempre desafiador e exige apostas ousadas. Nosso progresso será não linear. O futuro será ótimo."

Essa dinâmica sugere que, embora a Tesla ainda seja uma empresa automotiva em sua base, a visão de seu principal líder está firmemente plantada no futuro da inteligência artificial e da robótica, elementos que ele acredita serem cruciais para a próxima fase de crescimento e valorização da companhia.