A Buser, plataforma que revolucionou o transporte rodoviário no Brasil, tem um novo líder: Marcelo Vasconcellos, cofundador da empresa, assume o cargo de CEO. Ele substitui Marcelo Abritta, que segue no conselho. A mudança de comando não é apenas uma troca de cadeiras; representa uma guinada estratégica para a empresa, que agora mira um faturamento de R$ 1 bilhão até 2027.

A nova rota da Buser

Vasconcellos, que já estava à frente das operações e da estratégia de M&As (fusões e aquisições), planeja uma expansão focada na compra de viações tradicionais e na integração de tecnologia nessas operações. A ideia é injetar inteligência artificial e dados no mercado rodoviário, que, segundo ele, está "ultrapassado".

Por que isso importa

Essa movimentação da Buser é crucial porque sinaliza uma nova fase para o setor de transporte rodoviário no Brasil. Ao invés de apenas competir com as viações tradicionais, a Buser agora busca integrar-se e modernizar esse mercado. Isso pode significar mais opções, melhor serviço e preços mais competitivos para os passageiros, além de um empurrão tecnológico para um setor que ainda opera muito no offline.

Estratégia de aquisições e tecnologia

A Buser já começou a colocar sua estratégia em prática. Em março, adquiriu a Expresso JK e a Transportes Santa Maria, marcando sua entrada no mercado regulado. Em junho, comprou a Designa, empresa especializada em IA, mostrando o compromisso com a inovação. A meta é usar a inteligência de dados da Buser para turbinar a eficiência e a ocupação dos ônibus dessas viações, replicando o sucesso já visto nas aquisições.

Coexistência entre modelos

Vasconcellos defende que os modelos de fretamento colaborativo e o mercado regulado podem e devem coexistir, assim como Uber e táxis. A Buser não quer apenas competir, mas também colaborar e mostrar que a inovação pode beneficiar todo o ecossistema do transporte. A empresa quer provar que a concorrência não é predatória, mas sim um motor para a melhoria do serviço.

Desafios legais e o STF

Desde sua fundação em 2017, a Buser enfrentou uma série de batalhas judiciais com as viações tradicionais, que a acusavam de concorrência desleal. Atualmente, a empresa ainda tem restrições em alguns estados, mas uma decisão favorável do STF em julho, que autorizou a Buser a retomar viagens interestaduais para o Paraná, trouxe um novo fôlego e pode servir de jurisprudência para outras ações. Essa decisão se baseou nos princípios da livre iniciativa e concorrência, defendendo a inovação no setor.

O futuro do transporte rodoviário

Com 14 milhões de clientes cadastrados e uma meta de transportar 6 milhões de passageiros em 2027, a Buser está de olho em um mercado regulado que movimenta entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões anualmente. Além das aquisições, a empresa planeja expandir seu marketplace, oferecendo ferramentas de eficiência para viações parceiras e estendendo serviços financeiros. A Buser alcançou o break even em 2023, mostrando que sua estratégia focada em eficiência está dando resultados e que o mercado de transporte rodoviário está prestes a ser transformado.