O Banco de Brasília (BRB) está vivendo aquele clássico momento "o cachorro comeu meu dever de casa", só que no caso deles, o dever de casa é o balanço financeiro de 2025. O banco perdeu o prazo oficial de entrega em 31 de março, prometeu que entregaria tudo na última sexta-feira (29 de maio) e... falhou de novo, adiando a papelada agora para o fim de junho. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central perderam a paciência e já estão aplicando multas diárias que acumulam uma bolada superior a R$ 3 milhões.

Por que isso importa

Ninguém esconde um balanço contábil inteirinho se não tiver um esqueleto gigantesco no armário. O sumiço dos números decorre de um rombo bilionário estimado entre R$ 8 bilhões e R$ 13 bilhões, deixado após o BRB se meter em transações desastrosas envolvendo a compra de ativos do falido Banco Master. Se o BRB quebrar de vez e for liquidado, o buraco respinga no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em cerca de R$ 17 bilhões, além de travar R$ 30 bilhões em depósitos judiciais. Em suma: a máquina jurídica e financeira do Distrito Federal corre o risco de sofrer um apagão generalizado.

Operação "Compliance Zero" (ou o famoso ralo de dinheiro)

O próprio BRB admite que o balanço virou lenda urbana porque eles precisaram contratar uma auditoria forense para a operação "Compliance Zero" — um nome chique para tentar entender onde foi parar o dinheiro do banco público. Para dar uma acalmada nos ânimos, a governadora Celina Leão foi a público dizer que atrasar o balanço em "5, 10 ou 15 dias" diante do caos é perfeitamente normal. O mercado olhou para a declaração e lembrou daquele meme do cachorrinho sentado na sala em chamas dizendo "this is fine".

Para tentar salvar a instituição de uma intervenção direta do Banco Central, o governo do DF e a União correram para homologar um acordo bilionário de socorro e capitalização no Supremo Tribunal Federal (STF). O plano envolve o repasse de R$ 15 bilhões em ativos podres para uma gestora tentar transformá-los em liquidez.

Enquanto as auditorias tentam fechar a conta e o presidente do banco, Nelson Souza, jura que tudo se resolve até 30 de junho, o banco preferiu nem avisar a CVM oficialmente sobre o novo atraso de maio. É a tática de fingir demência para ver se o regulador esquece a cobrança.

Fato é que, se você achava que a fatia de R$ 60 mil de multa diária da CVM era salgada, imagine o tamanho do susto do correntista brasiliense. O BRB virou o primeiro banco público a adotar o modelo de contabilidade quântica: o prejuízo existe e não existe ao mesmo tempo, dependendo de quando você abre o relatório.