A Apple acaba de revelar o tamanho colossal da engrenagem financeira que gira em torno de seus dispositivos.

Um novo estudo conduzido por economistas da Analysis Group apontou que a App Store movimentou um recorde de US$ 1,4 trilhão em faturamento e vendas globais ao longo de 2025. O dado estratégico mais agressivo divulgado pela companhia, contudo, é o de que cerca de 90% desse montante foi gerado sem o pagamento de qualquer comissão para os cofres da big tech, uma vez que se refere a transações de bens físicos, serviços e publicidade externa.

O anúncio oficial ocorre estrategicamente nos dias que antecedem a sua conferência anual de desenvolvedores (WWDC), servindo como uma poderosa peça de defesa institucional em meio ao cerco de órgãos antitruste nos EUA e na Europa.

Onde está concentrada a dinheirama?

Para alcançar a marca do trilhão de dólares, o estudo divide a atividade econômica da loja de aplicativos em grandes frentes comerciais, mostrando que o core do negócio vai muito além dos downloads pagos.

A imensa maioria do faturamento vem da comercialização de bens e serviços físicos por meio de aplicativos de varejo, delivery de comida, transporte por aplicativo e viagens (como Uber, Amazon e iFood), mercados onde a Apple não morde uma fatia percentual. Outra parcela bilionária e de rápido crescimento é a de publicidade no ambiente do app, enquanto o segmento de bens estritamente digitais (como assinaturas, compras in-game e moedas virtuais) — onde incide a taxa padrão de 15% a 30% da Apple — responde pela menor fatia do bolo total.

Além disso, a análise deste ano destacou um salto vertiginoso no segmento: o faturamento de aplicativos focados em inteligência artificial quadruplicou de tamanho dentro da plataforma, refletindo a nova corrida do ouro tecnológico.

Escudo contra o cerco antitruste

A divulgação minuciosa desses números tem um endereço político muito claro: reguladores do mercado financeiro e defensores da concorrência global.

A Apple vem enfrentando uma série de derrotas judiciais e novas legislações restritivas (como a Lei de Mercados Digitais na União Europeia e novas regras no Brasil) que a obrigam a aceitar lojas de aplicativos concorrentes (sideloading) e sistemas de pagamento alternativos fora do seu ecossistema fechado.

Ao demonstrar que a App Store funciona como um catalisador de empregos e riqueza para terceiros, a empresa tenta esvaziar a narrativa de que opera um monopólio sufocante, posicionando-se como uma grande parceira econômica de desenvolvedores de todos os tamanhos ao redor do planeta.