A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de dar o aval para o registro de mais cinco canetas emagrecedoras à base de semaglutida, o composto ativo que revolucionou o tratamento da obesidade e diabetes tipo 2. A decisão, publicada no Diário Oficial da União (DOU), promete agitar ainda mais um mercado que já movimenta bilhões no Brasil. No entanto, há um detalhe crucial: nenhuma dessas novas opções será fabricada em território nacional.

As marcas recém-aprovadas incluem Owozy, da Ávita Care; Zempneo e Semavy, ambas da Hypera Pharma; Seemasun, da indiana Sun Pharma; e Orsema, da Ranbaxy. Essa aprovação em massa acontece poucos meses após a liberação da Ozivy, da farmacêutica EMS, que se destacou por ser a primeira semaglutida com produção local, aproveitando o fim da patente dos gigantes Ozempic e Wegovy, da dinamarquesa Novo Nordisk.

Estratégias de mercado e produção internacional

Apesar dos novos registros, a dinâmica de produção é complexa. A Hypera Pharma, por exemplo, optou por não fabricar a Zempneo inicialmente, focando na demanda de mercado. Sua aposta principal será a Semavy, que chegará às farmácias sob a forte marca Mantecorp. Contudo, a produção dessa caneta será realizada na Índia, pela Sun Pharma, que também fabricará sua própria versão da semaglutida e a da Ranbaxy, empresa que possui. Breno Oliveira, CEO da Hypera Pharma, destaca que o objetivo é “ampliar a oferta nacional de semaglutida, contribuindo para tornar esse tipo de tratamento cada vez mais acessível”. A expectativa é que o produto esteja disponível em até dois meses.

Outro caso notável é o da caneta da Ávita Care, que será comercializada pela Sandoz. A produção ocorrerá no Canadá, utilizando ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado da China. A Sandoz, sob a liderança de Isabella Wanderley, ex-CEO da Novo Nordisk no Brasil, confirmou a aprovação e prevê a chegada do produto às farmácias ainda no segundo semestre deste ano.

Um mercado em ebulição e a concorrência acirrada

A chegada desses novos players promete intensificar a competição em um mercado já aquecido e em plena expansão. Dados da Close-Up International Brasil revelam que, entre maio de 2025 e maio de 2026, o mercado de canetas emagrecedoras no país movimentou R$ 13,3 bilhões. O Mounjaro (tirzepatida), da americana Eli Lilly, lidera com folga, faturando R$ 8,5 bilhões no período, seguido por Wegovy (R$ 3,7 bilhões) e Ozempic (R$ 1,1 bilhão).

O Itaú BBA estima um mercado anualizado de R$ 14,6 bilhões até abril, com um crescimento impressionante de 110%. A projeção é que esse segmento alcance a marca de R$ 19 bilhões até 2026. Essa concorrência crescente já se reflete na redução de preços, inclusive do Mounjaro, que teve uma queda de 35% nos valores praticados nas farmácias.

EMS também se movimenta com “clone” da Ozivy

Não apenas os novos registros, mas também a movimentação de players já estabelecidos contribui para a efervescência do setor. A EMS, por exemplo, já registrou um “medicamento clone” da Ozivy, que agora é considerada medicamento de referência pela Anvisa. A nova caneta da farmacêutica, batizada de Semaclick, deve chegar ao mercado até o final do ano. A expectativa é que a EMS produza 700 mil unidades da Semaclick em 12 meses, somando-se às 1,2 milhão de unidades previstas para a Ozivy no mesmo período. Nos primeiros 15 dias de lançamento, a Ozivy faturou R$ 100 milhões com 230 mil unidades vendidas, demonstrando o potencial desse mercado.