A Anthropic, startup por trás da inteligência artificial Claude, está no centro de um debate financeiro que poderia redefinir o mercado de tecnologia. A empresa, que chegou a cogitar um IPO que a avaliaria em impressionantes US$ 2 trilhões, adiou seus planos para novembro. Enquanto isso, sua rival OpenAI postergou a própria listagem para 2027, com Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmando que uma abertura de capital antecipada seria "desaconselhável".

Analistas e investidores estão divididos. Será que a Anthropic realmente conseguiria atingir essa marca estratosférica? Uma análise recente do Financial Times sugere que sim, comparando a empresa a outras gigantes da tecnologia e ao tamanho do mercado endereçável da IA.

Por que isso importa?

O valor de mercado de uma empresa como a Anthropic não reflete apenas seu sucesso atual, mas também as expectativas futuras e o potencial disruptivo da inteligência artificial. Se a Anthropic conseguir se aproximar dessa avaliação, isso sinalizará a crença do mercado em um futuro onde a IA generativa desempenha um papel ainda mais central na economia global, atraindo mais investimentos e talentos para o setor. Além disso, a comparação com outras gigantes de tecnologia oferece um vislumbre de como o mercado está precificando o futuro da inovação.

O meteórico crescimento da Anthropic

Fundada em 2021, a Anthropic começou a gerar receita apenas em 2023. Em agosto do ano passado, a empresa já faturava cerca de US$ 65 bilhões em base anualizada, segundo estimativas de mercado. E as projeções são ainda mais ambiciosas: alguns investidores preveem um run-rate de US$ 320 bilhões até o final de 2027.

Para colocar isso em perspectiva, um valuation de US$ 2 trilhões equivaleria a sete vezes a receita projetada para 2028, um múltiplo inferior ao da Microsoft. Se a Anthropic fosse avaliada com o mesmo múltiplo da SpaceX (16 vezes a receita), seu valor de mercado saltaria para US$ 5 trilhões.

O tamanho do mercado de IA

O grande trunfo da Anthropic reside no vasto mercado endereçável da inteligência artificial. A SpaceX, por exemplo, já afirmou que o mercado de aplicações corporativas vale US$ 22,7 trilhões. Se a Anthropic capturasse apenas 3% dessa fatia, sua receita anual atingiria quase US$ 700 bilhões.

Aplicando um múltiplo de 10 vezes a receita e um desconto de três anos para o futuro, o valor da empresa chegaria a US$ 4,5 trilhões. Documentos da própria Anthropic citam um mercado endereçável ainda maior, de US$ 30 trilhões, enquanto o Morgan Stanley estima US$ 60 trilhões para o trabalho do conhecimento e consumo digitalizável.

O debate sobre os riscos e o futuro

Curiosamente, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, fez um apelo recente por uma desaceleração coletiva no desenvolvimento de novos modelos de IA, citando preocupações com riscos extremos. Essa postura, embora possa parecer contraditória com as ambições de valuation, pode, na verdade, tornar a cifra de US$ 2 trilhões mais "razoável".

O medo em torno dos riscos da IA pode levar os laboratórios a serem mais cautelosos em seus gastos e a focar em extrair receita das tecnologias já existentes. Isso, por sua vez, "afasta" a hipótese de valuations estratosféricos como US$ 100 trilhões, mas torna os US$ 2 trilhões um objetivo mais palpável e sustentável, baseando-se em uma abordagem mais responsável e focada em monetização de inovações já existentes.