A Alphabet decidiu pedir uma ajudinha de US$ 80 bilhões para os seus acionistas pagarem a conta de luz dos servidores de inteligência artificial. O plano consiste em emitir uma montanha de novas ações no mercado — o que na prática é a maior captação desse tipo já registrada no mundo, superando os maiores IPOs da história somados. Para dar aquela moral no projeto, ninguém menos que a Berkshire Hathaway (a holding do lendário Warren Buffett) já carimbou o passaporte garantindo a compra de US$ 10 bilhões desse lote. O mercado, que não é bobo, deu aquela tradicional assustada com a diluição dos papéis e fez as ações da empresa abrirem em queda em Nova York. Mas sejamos francos: que outra empresa do planeta consegue pedir 80 bilhões de dólares de "caixinha" sem ver suas ações derreterem por completo?

Por que isso importa: Essa movimentação enterra de vez o mito de que as Big Techs são empresas leves em capital. A inteligência artificial consome tanto dinheiro e energia que até o Google precisa passar o chapéu para continuar construindo data centers e comprando chips avançados. Além disso, metade desse valor (US$ 40 bilhões) será usado para cobrir mudanças administrativas no pagamento de impostos sobre ações de funcionários. Ou seja: a IA está cara, mas o Leão americano também não dá trégua.

A jogada da Alphabet também funciona como uma bela demonstração de força contra os rivais que estão tentando movimentar o mercado financeiro, como a OpenAI e a própria SpaceX. Enquanto as startups precisam rebolar no mercado privado ou enfrentar o escrutínio de um IPO do zero, o Google só precisou apertar um botão e acionar o "PIX" dos investidores públicos. No século XIX, as bolsas de valores serviam para financiar ferrovias coloniais. Hoje, servem para pagar os mimos e os delírios dos modelos de linguagem que tentam adivinhar qual vai ser a sua próxima pesquisa.

O recado para o resto do mercado é claro: se você não tem US$ 80 bilhões sobrando no sofá da sala para queimar com chips e servidores, talvez seja melhor nem puxar cadeira para essa mesa de pôquer. É a velha máxima dos negócios: quem tem mais terra, chora menos na hora de plantar.